- Completou vinte anos de atuação no Supremo Tribunal Federal, sendo a única mulher na atual composição da Corte.
- Formada em direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atuou como procuradora do estado de Minas Gerais antes de chegar ao STF, em 2006.
- Entre setembro de 2016 e setembro de 2018, ocupou a presidência do STF e do Conselho Nacional de Justiça, e chegou a presidir interinamente o país em quatro ocasiões.
- Durante a gestão no STF e CNJ, houve iniciativas para proteção de mulheres, combate à violência de gênero, aceleração de julgamentos de feminicídio e melhoria do acompanhamento de prisões, incluindo mulheres grávidas e lactantes.
- Foi a primeira mulher a presidir o Tribunal Superior Eleitoral em duas ocasiões, em 2012 e em 2024, reforçando atuação na defesa da democracia e das instituições brasileiras.
A ministra Cármen Lúcia completou 20 anos de atuação no Supremo Tribunal Federal (STF) neste domingo. A única mulher na composição atual consolidou uma trajetória dedicada à Constituição, à igualdade e aos valores democráticos, com foco na dignidade humana e no serviço público.
Nascida em Montes Claros, MG, ela é filha de origem portuguesa e pertence a uma família de sete irmãos. Formou-se em direito pela PUC-MG em 1977 e tornou-se professora na instituição em 1983, além de ter especialização em direito de empresa pela Fundação Dom Cabral (1979) e mestrado em direito constitucional pela UFMG (1982).
Antes de chegar ao STF, atuou como procuradora do Estado de Minas Gerais de 1983 a 2006, sendo procuradora-geral do Estado entre 2001 e 2002. Também dirigiu a Revista do Instituto dos Advogados Brasileiros, ampliando sua participação no debate jurídico nacional.
A trajetória no STF começou em 2006, quando foi indicada pelo então presidente Lula para ocupar a vaga de Nelson Jobim. A sabatina no Senado ressaltou seu domínio da linguagem, e a indicação foi aprovada por 55 votos a 1. Tomou posse em 21 de junho de 2006, tornando-se a segunda mulher da Corte.
Atuação no STF e em órgãos ligados
Ao longo dos anos, Cármen Lúcia ficou conhecida pela regularidade e pelo ritmo de julgamento, mantendo uma das leituras mais consistentes da Corte. Sua atuação destacou-se pela defesa da igualdade de oportunidades e pela luta contra a violência de gênero.
Ela também foi a primeira mulher a usar calça comprida em uma sessão plenária, em 15 de março de 2007, quebrando uma tradição da instituição. Sua liderança ajudou a ampliar a participação feminina no Judiciário.
Entre 2016 e 2018, presidiu o STF e o CNJ, tornando-se a segunda mulher a chefiar as duas instituições. Durante esse período, conduziu ações para proteção de mulheres, celeridade em processos de feminicídio e criação de mecanismos de acompanhamento da situação carcerária.
A atuação institucional incluiu visitas a unidades prisionais e reuniões com presidentes de tribunais para melhorar informações sobre presos, com destaque para mulheres encarceradas e bebês nascidos em presídios. Ela ressaltou que bebês não devem ser responsabilizados pelos crimes das mães.
Liderança em momentos relevantes
Em janeiro de 2017, após a morte do ministro Teori Zavascki, acompanhou a transição de processos da Lava Jato, garantindo continuidade das decisões sob nova liderança. Também presidiu o TSE em duas ocasiões, em 2012 e 2024, organizando as eleições municipais.
Sua gestão no TSE reforçou a defesa da democracia e das instituições brasileiras, com foco na organização eleitoral e no fortalecimento de mecanismos de transparência e fiscalização do processo eleitoral.
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