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Robôs não têm liberdade de expressão, aponta debate técnico

Robôs já respondem por parte significativa do tráfego, ampliando desinformação e simulando participação política, com impactos em eleições e regulação

2026. Eixo Capital. Walter Vieira Ceneviva, advogado especialista em mídia, telecomunicações, regulação digital e liberdade de expressão. - (crédito: Divulgação)
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  • Robôs já respondem por mais da metade do tráfego global na web, tornando o ambiente cada vez menos humano e aumentando interações e ataques automatizados.
  • A inteligência artificial permite que redes de robôs criem textos, vídeos e interações em grande escala, simulando pessoas reais e influenciando o debate público.
  • O fenômeno aumenta o risco democrático ao gerar tendências artificiais, narrativas manipuladas e sensação de consenso por meio de algoritmos coordenados.
  • No Brasil, as eleições já passaram por uso massivo de mensagens em 2018 e conteúdos manipulados em 2022; hoje há uso ampliado de tecnologia para replicar essas estratégias.
  • Medidas vão além da liberdade de expressão: União Europeia adota o Digital Services Act, com auditorias e transparência; no Brasil, a Resolução do Tribunal Superior Eleitoral avança na regulação de IA e remoção de conteúdos, buscando impedir que robôs se metam acolha participação política.

A prática de eliminar contas criadas com fraude é vista como medida contra estelionato digital, não como censura. Robôs que simulam pessoas dificultam o debate público, especialmente em eleições, segundo especialistas.

Estudo do Bad Bot Report, da Imperva (Arx), aponta que robôs já respondem por mais de metade do tráfego global na web. Ferramentas automatizadas ampliam interações e ataques, revelando uma web cada vez menos humana.

A discussão sobre liberdade de expressão se transforma. Large-scale automação cria tendências artificiais, impulsiona narrativas e gera sensação de consenso por meio de algoritmos coordenados.

O impacto na democracia

Pesquisas associam a repetição de informações à percepção de veracidade, mesmo quando falsas. O efeito da ilusão da verdade é destacado por estudos da Universidade de Cambridge, que mostram maior convencimento com exposição repetida.

Com IA, a disseminação ocorre em escala industrial. Textos, vídeos e interações são gerados para parecer pessoas reais, elevando o desafio para governos e plataformas.

Cenário brasileiro

No Brasil, a eleição de 2018 viu disparos massivos de mensagens. Em 2022, conteúdos manipulados e deepfakes ganharam espaço. Hoje, a tecnologia facilita estratégias ainda mais amplas próximas a novas eleições.

A discussão não é apenas sobre liberdade. Robôs não são cidadãos, não votam e não possuem direitos políticos. A liberdade de expressão não se aplica a máquinas.

Medidas regulatórias

Eliminar contas fraudulentas é visto como mitigação de fraude, não censura. A União Europeia já aplica o Digital Services Act, exigindo auditorias, transparência algorítmica e mitigação de riscos, inclusive eleitorais.

No Brasil, a Resolução 23.755 do TSE avança na regulação de IA e na remoção de conteúdos. A atuação concentra-se em frear a disseminação de desinformação, incluindo engrenagens que sustentam a sua disseminação.

Desafios à frente

A pergunta central em 2026 é como impedir que interações artificiais sejam confundidas com participação política autêntica. Democracias precisam proteger a voz das pessoas, não de robôs.

Fonte: especialistas em mídia, regulação digital e liberdade de expressão.

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