- O Reino Unido anunciou a proibição de menores de 16 anos em redes sociais como TikTok, Facebook, Instagram e X, com regras ainda em implementação e efeitos esperados para o início de 2027.
- A pesquisadora britânica Kaitlyn Regehr aponta que as big techs exploram vulnerabilidades emocionais para vender produtos, usando segmentação emocional envolvendo adolescentes.
- No Brasil, Lula assinou decretos que ampliam a fiscalização sobre redes sociais e regulamentam decisões do STF sobre o Marco Civil, empoderando a ANPD para monitorar cumprimento e atuação contra conteúdos graves.
- Na Califórnia, Meta e Google foram consideradas responsáveis por contribuir para vício em redes entre jovens, em decisão histórica que resultou em indenização de US$ 6 milhões.
- Debates atuais destacam a necessidade de segurança desde o design dos produtos, críticas a leis como o Online Safety Act, e propostas de “nutrição digital”, além de medidas práticas para pais, como evitar o YouTube infantil isolado e reduzir o sharenting.
A pesquisadora britânica Kaitlyn Regehr acusa as grandes empresas de tecnologia de explorar vulnerabilidades emocionais para lucro, afirmando que conteúdos relacionados à autoestima, saúde e consumo são segmentados para aumentar a atenção e as vendas. O tema ganhou destaque após declarações à BBC News Brasil.
Segundo Regehr, algoritmos priorizam conteúdos nocivos e de polarização, ampliando fragilidades emocionais. Ela cita exemplos como o uso de dados de ações simples, como a exclusão de uma foto no Instagram, para veicular produtos de emagrecimento a adolescentes. O livro Nação Smartphone embasa as críticas.
Em entrevista recente, a pesquisadora apresenta a visão de que proteção poderia ser obrigatória, não apenas voluntária. Ela argumenta que medidas de proteção realmente existem, mas não são aplicadas com rigor pelas plataformas.
Progresso regulatório no Reino Unido
Nesta semana, o governo do Reino Unido anunciou medidas para restringir a participação de menores de 16 anos em redes sociais, incluindo TikTok, Facebook, Instagram e X. A norma prevê proibição de transmissões ao vivo por crianças e limitações de interação com estranhos em apps de jogos, com implementação prevista para 2027.
No Brasil, o debate sobre a regulação de big techs ganhou novo impulso após decretos assinados em 20 de maio pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As medidas ampliam a fiscalização sobre redes sociais e dão à ANPD poder para monitorar cumprimento de decisões do STF relacionadas ao Marco Civil da Internet.
Contexto técnico e debates judiciais
O governo brasileiro vê os decretos como avanço num tema que enfrentou resistência no Congresso, especialmente em relação ao PL das Fake News. Nos EUA, decisão na Califórnia responsabilizou Meta e Google por impactos na saúde mental de jovens, com indenização de US$ 6 milhões.
Especialistas ressaltam que, embora haja responsabilização judicial, plataformas continuam a priorizar conteúdos que prendem atenção. Também apontam limitações de controles parentais e de bem‑estar digital, frequentemente burlados por usuários.
Perspectivas e propostas da pesquisadora
Regehr defende o conceito de “nutrição digital”, buscando qualidade de conteúdo em vez de apenas tempo de tela. Ela recomenda atividades coletivas com telas maiores para crianças e conteúdos educativos para adultos, evitando feeds algorítmicos de vídeos curtos.
Para pais, a pesquisadora sugere reduzir a exposição de crianças ao YouTube e discutir consentimento no compartilhamento de imagens de menor. Ela aponta que dados indicam uso elevado de plataformas por crianças desde muito cedo, contribuindo para riscos de automutilação e depressão.
Desafios e impacto social
A pesquisadora destaca a necessidade de design de segurança embutido em produtos digitais, com penalidades para empresas que não cumprirem regras. O debate envolve equilíbrio entre privacidade e proteção de menores, além de enfrentar a polarização gerada por conteúdos extremados.
Analistas apontam que a hiperpersonalização levou a silos informacionais, dificultando o diálogo coletivo. O tema permanece em foco conforme governos e instituições avaliam leis, fiscalização e mecanismos de proteção adequados para crianças e adolescentes.
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