- Liza Shaw e Rohan Wightman eram colegas de casa em Lismore, Nova Gales do Sul, desde 1998 e passaram a ter um relacionamento casual.
- Eles viajaram para um protesto em Woomera, no deserto da Austrália do Sul, contra um centro de detenção de refugiados; ela fazia primeiros socorros e ele ajudava a montar o acampamento.
- Na primeira noite, a polícia chegou para prender pessoas e refugiados tentavam escapar da cerca.
- Ao fim do protesto, ficaram num hotel em Port Augusta, onde se abraçaram e choraram, buscando consolo diante do trauma vivido.
- Hoje, mais de vinte anos depois, seguem juntos, com uma filha chamada Ksenya; ela é profissional de promoção da saúde e ele, professor, mantendo o relacionamento como espaço seguro e de apoio emocional.
O relato acompanha a ligação entre Liza Shaw e Rohan Wightman, iniciada como convivência e amizade, e que se aprofundou após um protesto no Centro de Detenção de refugiados em Woomera, no interior da Austrália. A história mostra como o desgaste emocional vivido naquele período moldou o vínculo entre eles.
Liza e Rohan se conheceram em Lismore, Nova Gales do Sul, em 1998, na universidade local. O encontro ocorreu após a apresentação de um amigo em comum, que os apresentou como colegas de casa. A convivência ganhou tom de amizade durante jantares e debates.
Em 2001, a dupla se reencontrou em Naarm (Melbourne) durante uma manifestação do Dia do Trabalhador. Eles acompanharam uma banda de folk punk de um amigo e passaram a ficar hospedados na casa de Liza, mantendo um relacionamento casual na época. O vínculo cresceu com o tempo.
Protesto em Woomera
A viagem seguinte levou-os a um protesto no deserto sul-australiano, em Woomera, onde ficavam presos refugiados em uma instalação do governo Howard. Liza atuava como socorrista voluntária para atender feridos, enquanto Rohan montava o acampamento do protesto.
Na primeira noite, a polícia chegou e prendeu manifestantes, gerando tensão e noites de sono interrompido. Ao longo dos dias, ocorreram momentos traumáticos, como refugiados se aproximando da cerca na tentativa de fuga e situações de alto estresse para os envolvidos.
Balanço emocional e continuidade
Ao fim do protesto, eles alugaram um quarto de hotel em Port Augusta para descansar. Nos momentos de pausa, compartilharam o peso emocional do que testemunharam, reconhecendo que tinham não apenas valores políticos alinhados, mas também um espaço de apoio emocional profundo.
Desde então, o casal morou em Darwin, viajou pela Ásia e estabeleceu residência em Castlemaine. Após o nascimento da filha Ksenya, a militância cedeu espaço para a família, com ambas as ocupações profissionais voltadas a impacto comunitário.
Entre na conversa da comunidade