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Japão, adversário do Brasil na Copa, busca manter a monarquia e tradição

Projeto no Japão propõe adoção de homens de linhagem aristocrática e permite que mulheres integrem a casa imperial, para manter a linha de sucessão

O imperador japonês Naruhito (à esq.) não teve filhos homens (Arquivo). — Foto: Pool for Yomiuri/AP Photo/picture alliance via DW
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  • Sete partidos chegaram a um consenso para alterar a Lei da Casa Imperial, com objetivo de manter um número suficiente de membros na família real e encaminhar o projeto ao Parlamento ainda nesta legislatura.
  • O plano inclui homens adotados com idade a partir de 15 anos, descendentes da linha paterna de antigas famílias aristocráticas, para preservar a sucessão masculina.
  • Outra mudança permite que mulheres da família permaneçam na casa imperial após o casamento, ao invés de perderem o título.
  • A oposição permanece em dúvida sobre incluir cônjuges civis e seus descendentes, o que abriria espaço para sucessões por princesas.
  • Atualmente, a linha masculina de sucessão direta é composta pelo príncipe herdeiro Fumihito e seu filho Hisahito; a princesa Aiko é citada como candidata popular para o trono, enquanto 72% dos japoneses apoiam uma herdeira.

A família imperial do Japão enfrenta uma encrucilhada histórica diante da escassez de herdeiros masculinos, hoje os únicos aptos a ocupar o Trono do Crisântemo. Princesas não podem sustentar a linha de sucessão caso se casem, o que reduz ainda mais o conjunto de possíveis herdeiros. A discussão ganhou forma em meio a debates sobre manter ou reformar a tradição.

Sete partidos, entre oposição e governo, chegaram a um consenso sobre mudanças na Lei da Casa Imperial. O objetivo é assegurar um número suficiente de membros na família real, diante das dificuldades demográficas. O governo de Sanae Takaichi planeja levar o projeto ao Parlamento ainda nesta legislatura.

A proposta prevê a possibilidade de adoção na linha de herdeiros: homens adotados a partir de 15 anos, descendentes de antigas famílias aristocráticas, poderiam entrar na casa imperial para fins de sucessão. A adoção seria uma forma conservadora de evitar a presença de uma imperatriz no trono.

Outra mudança permitiria que mulheres da família permaneçam na casa imperial após o casamento, caso desejem. Hoje, princesas perdem o título após casar-se. A medida visa manter funções representativas e atividades cerimoniais que envolvem a instituição.

Partidos ainda discutem se cônjuges civis e filhos de casamentos civis poderão integrar a casa imperial. O tema permanece em aberto, com o evento potencial abrindo brechas para inclusão de descendentes de princesas em posição de herdeira.

Desde a morte do imperador Showa, em 1989, a linha masculina de sucessão direta se restringiu. Hoje, o príncipe herdeiro Fumihito, de 60 anos, e seu filho Hisahito, de 19, compõem o tronco masculino que precisa ser preservado. Aico, filha do imperador, é citada como possibilidade de futura liderança.

Entre a população, há apoio à inclusão de uma herdeira. Uma pesquisa de maio apontou 72% a favor de uma líder feminina, mas a resistência conservadora mantém a atual estrutura. O impasse permanece enquanto o Parlamento avalia as propostas.

O tema é acompanhado com cautela: a reforma pode impactar a aceitação da monarquia no país, principalmente se novos membros da família real forem promovidos a príncipes sem raízes consagradas. O imperador Naruhito não comenta posições políticas, mas espera que haja compreensão pública.

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