- A Polícia Federal identificou que o perito João Cláudio Nabas criou dois arquivos intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf” a partir de citações encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro.
- O perito também teria sugerido aos colegas da PF o vazamento do material à imprensa, embora a ideia tenha sido recusada pela equipe.
- A investigação apura vazamentos do celular de Vorcaro, o que levou à busca e apreensão contra Nabas em maio, e ao afastamento dele das funções.
- Os arquivos reuniam diálogos e referências aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, incluindo trechos do contrato de R$ 129 milhões do Banco Master com a advogada Viviane Barci de Moraes.
- A PF sustenta que Nabas acessou os dados sem autorização, organizou e repassou informações sigilosas à imprensa; policiais da operação Compliance Zero foram ouvidos.
A Polícia Federal identificou que o perito criminal João Cláudio Nabas, lotado na PF, produziu dois arquivos intitulados Moraes.pdf e Toffoli e esposa.pdf a partir de mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Os documentos teriam sido feitos com base em citações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
A investigação apura vazamentos do conteúdo do celular de Vorcaro, o que levou à determinação de busca e apreensão contra Nabas em maio. O perito foi afastado de suas funções após a operação, que faz parte de um inquérito aberto por ordem do ministro André Mendonça.
A PF sustenta que Nabas sugeriu aos colegas a divulgação do material à imprensa. Em depoimentos, policiais relatam que o perito acessou dados em 1º de dezembro e censurou a linha de investigação, centrando-se em elementos desfavoráveis aos ministros para tornar o material público.
Os dois arquivos compilavam diálogos envolvendo Moraes e Toffoli, além de menções ao ministro e à sua esposa. Um trecho incluía partes do contrato de R$ 129 milhões do Banco Master com a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes.
A Receita Federal informou que o escritório de Viviane Moraes recebeu R$ 80,2 milhões em pagamentos do Master entre 2024 e 2025. Segundo a PF, o conteúdo dos manuscritos reforçou indícios de que Nabas organizou e repassou informações sigilosas à imprensa.
O inquérito detalha que, após acessar Vorcaro, Nabas dirigiu seus esforços para prejudicar a imagem dos ministros, conforme a linha temporal apresentada pela PF. A perícia aponta que houve tentativa de vazamento sem autorização das autoridades que conduzem a operação.
A PF ouve integrantes da Operação Compliance Zero, cuja equipe afirmou ter tomado conhecimento do episódio. Relatos indicam que Nabas enviou arquivos por meio remoto e sugeriu divulgar o conteúdo a veículos de imprensa, o que foi recusado pela equipe.
Em um depoimento, um policial relatou que, por fim, Nabas enviou um segundo PDF intitulado Toffoli e esposa.pdf, reunindo informações sobre Toffoli e Roberta Rangel, com dados do resort Tayayá. Parte dessas informações foi usada no pedido de suspeição contra Toffoli.
Logo após o vazamento, o perito foi afastado da equipe da Operação Compliance Zero e teve seus acessos encerrados. Ministros do STF só podem ser investigados pela PF com autorização do próprio tribunal e, nesses casos, o processo tramita no STF.
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