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Aprovação de Lula mais sensível à inflação e ao desemprego em 30 anos

Lula tem aprovação mais sensível à inflação e ao desemprego entre presidentes dos últimos 30 anos; Bolsonaro é o menos afetado, segundo MB Associados

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
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  • Lula é o presidente cuja aprovação é a mais sensível ao comportamento da inflação e do desemprego entre os últimos 30 anos, segundo estudo da MB Associados.
  • Bolsonaro aparece como o mandatário menos afetado pelo bem-estar econômico, mesmo com a piora dos indicadores durante a pandemia.
  • O estudo cruzou o índice da miséria (IPCA mais desemprego) com a aprovação mensal, levando em conta cinco presidentes e nove mandatos desde 1996.
  • O índice da miséria está no menor nível em 30 anos, mas a inflação ainda é uma preocupação para o curto prazo, enquanto o desemprego estava em 5,6% no trimestre até maio.
  • Projeções indicam que, se a trajetória do índice da miséria continuar, Lula pode chegar à eleição com aprovação entre 44% e 47%; choques externos ou alta de petróleo podem reduzir a aprovação para entre 38% e 42%.

Luiz Inácio Lula da Silva sofre maior impacto de inflação e desemprego em seus três mandatos, segundo estudo da MB Associados. A alta dos preços e o mercado de trabalho influenciam sua popularidade mais do que nos governos anteriores.

Na outra ponta, Jair Bolsonaro aparece como o presidente menos sensível aos indicadores econômicos. Pesquisadores destacam que sua base ideológica ajuda a mitigar o efeito do aumento da inflação e do desemprego.

O levantamento cruzou o índice da miséria, formado pelo IPCA agravado pela inflação e pela taxa de desemprego, com a aprovação mensal dos presidentes apurada pelo agregador Jota desde 1996. O estudo abrange cinco presidentes em nove mandatos.

Lula lidera entre os que reagiram mais fortemente aos choques de preços, ainda que o índice da miséria esteja no menor nível dos últimos 30 anos. A perspectiva de alta inflacionária nos próximos meses pesa sobre o cenário.

Especialistas destacam que a diferença de sensibilidade entre os dois líderes decorre das expectativas de cada eleitorado. Lula é avaliado com base em melhorias de renda, emprego e proteção social.

Para analistas, Bolsonaro tem apoio de eleitores com visão mais ideológica, que dão menos peso ao desempenho econômico recente na avaliação do governo. O efeito de inflação preocupa principalmente quem enfrenta custos cotidianos.

Outros presidentes, como Fernando Henrique Cardoso, Michel Temer e Dilma Rousseff, também aparecem em métrica de sensibilidade menor, variando entre 2,2 e 4,3 pontos de reação por mudança no índice da miséria.

Entre 2003 e 2010, quando Lula teve dois mandatos, a variação de aprovação diante de choques econômicos foi menor, sinalizando mudanças no comportamento eleitoral ao longo do tempo.

Especialistas apontam que a inflação persistente, aliada a choques externos e ao desgaste político, explica parte da atual percepção pública. A inflação acumulada em 12 meses permanece em patamar desconfortável para muitos.

O desemprego, por sua vez, está em 5,6% no trimestre encerrado em maio, o menor índice da série histórica, o que pode influenciar a leitura positiva de governos com controle sobre outros aspectos da economia.

Segundo o estudo, se a trajetória atual do índice da miséria se mantiver, Lula pode chegar à eleição com aprovação entre 44% e 47%, cenário favorável ao incumbente no segundo turno.

Caso haja novas pressões externas, como aumento do petróleo ou agravamento de conflitos, a aprovação de Lula poderia recuar para 38% a 42%, segundo a projeção do levantamento.

A política fiscal expansionista é apontada como fator que pressiona a inflação, ao estimular demanda. Analistas ressaltam que o cenário depende também de fatores como a percepção sobre preços de alimentos e o aumento real de salários.

Para o pesquisador Sergio Vale, a expectativa de recuperação de renda entre os menos favorecidos pode sustentar a aprovação de Lula, mesmo com a inflação continuando alta.

A inflação global e a inflação interna continuam sendo temas centrais na avaliação pública, com impactos diferentes conforme o alinhamento político e as expectativas de cada eleitorado.

Analistas destacam que, além de indicadores econômicos, fatores como comunicação do governo, segurança e outros temas também influenciam a aprovação, tornando o panorama eleitoral berada.

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