- A Copa do Mundo passou a ser vitrine para estratégias de comunicação de pré-candidatos, com camisa da Seleção, bandeira e cores nacionais ganhando espaço.
- O senador Flávio Bolsonaro intensificou a associação entre a camisa e o bolsonarismo, exibindo cores nacionais em atos e vídeos e mencionando a “camisa do Bolsonaro” em discurso no Pará.
- O presidente Lula e aliados também exploram o patriotismo e as cores da bandeira para a campanha, incluindo o lançamento de um jingle próximo à estreia da seleção com o lema “Lula joga pelo Brasil”.
- Outros pré-candidatos, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, também recorreram ao tema da Copa em vídeos e publicações para reforçar mensagens de campanha e críticas ao governo.
- Especialistas destacam que a Copa funciona mais como recurso de comunicação do que como fator decisivo de voto, com exemplos que vão desde críticas a Neymar até narrativas ligadas aos números das camisas.
Desde o início da Copa do Mundo, a campanha de pré-candidatos à Presidência intensificou o uso de símbolos da Seleção para comunicar propostas e identidades. Camisas, bandeiras e cores verdes e amarelas aparecem nas peças de campanha de vários nomes.
Flávio Bolsonaro, Lula e aliados passaram a associar a imagem da seleção à identidade nacional em suas estratégias. A prática envolve abordar temas de patriotismo, soberania e programas do governo, buscando conexão com o público durante o torneio.
Outros pré-candidatos também entraram no jogo de visibilidade. Ronaldo Caiado, de Goiás, publicou conteúdo ligado à estreia da Seleção, ao lado de sua esposa vestindo a camisa. Romeu Zema, de Minas, usou a Copa para situar críticas ao governo atual em vídeos publicados em junho.
Ao longo do período, a propaganda associou momentos da competição a narrativas políticas. Em especial, mensagens que relacionam vitórias ou derrotas da seleção a desempenho governamental aparecem com frequência.
Lula x Flávio
Antes da estreia da Seleção, em 11 de junho, foi divulgado o primeiro jingle da campanha de reeleição de Lula, com o lema Lula joga pelo Brasil. A peça vincula futebol a identidade nacional e a algumas ações governamentais, como programas sociais e iniciativas de cidadania digital.
Em resposta, Flávio Bolsonaro lançou nova peça de pré-campanha com o jingle adaptado ao contexto da Copa. O conteúdo afirma que Lula e o PT utilizam as cores nacionais apenas em períodos eleitorais, mantendo que a camisa é parte de uma rotina de apoio ao Brasil.
O material de Flávio mescla imagens de manifestações com eventos públicos em que ele aparece ao lado de Bolsonaro, além de discursar sobre a defesa da bandeira nacional. Em discurso no Pará, o cálice visual reforça a relação entre cores da Seleção e bolsonarismo.
Especialista em campanhas, o marqueteiro analisa a Copa como ativo de comunicação para todos os governos, independentemente de ano eleitoral. Segundo ele, vitórias da seleção podem criar narrativas de orgulho, enquanto derrotas rendem críticas políticas.
Para o analista, porém, a Copa funciona mais como elemento simbólico do que fator decisivo de voto. Determinantes na decisão do eleitor costumam ser economia, segurança e poder de compra.
O uso da imagem de Neymar
O mesmo especialista aponta que personalidades do futebol são usadas para dialogar com diferentes segmentos. Lula, por exemplo, criticou Neymar em tom que buscou ampliar apoio entre eleitores que não aprovam o jogador.
Em Belo Horizonte, no fim de junho, Lula brincou com a situação física de Neymar, usando a expressão de meme. Em resposta, Flávio Bolsonaro publicou conteúdo com inteligência artificial em que Neymar aparece em uma situação de resgate na Copa, defendendo o jogador.
A estratégia de associar Neymar a pautas políticas reforça a ideia de que símbolos do futebol permitem alcançar eleitores com diferentes perfis. O tema, porém, permanece na esfera de comunicação, sem indicar mudança decisiva no cenário eleitoral.
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