- Clarice Herzog completou 85 anos no dia 1º de julho e segue dedicando-se à memória, à democracia e aos direitos humanos no Brasil.
- Viúva de Vladimir Herzog, jornalista morto pela ditadura em 1975, ela questionou a versão de suicídio e lutou pela verdade há décadas.
- Em 1978, a Justiça reconheceu a responsabilidade do Estado pela morte de Vlado; em 2018, a Corte Interamericana responsabilizou o Brasil e determinou medidas de verdade, justiça e reparação.
- Assumiu a presidência do Instituto Vladimir Herzog em 2009, para preservar a memória do jornalista; em 2013, ocorreu a retificação do atestado de óbito para reconhecer a violência estatal.
- No ano passado, a Justiça Federal concedeu pensão vitalícia de R$ 34.577,89 a Clarice; o filho Ivo Herzog ressalta o legado da mãe na luta pela democracia.
Clarice Herzog, hoje com 85 anos, manteve viva a memória do marido Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura militar em 1975. A socióloga transformou a dor em luta por verdade, justiça e defesa dos direitos humanos no Brasil. Seu trabalho permanece como referência na defesa da democracia.
A trajetória de Clarice começou após o assassinato de Vladimir, jornalista morto nas dependências do DOI-Codi. A divulgação de uma suposta foto de suicídio provocou mobilização da família e de ativistas que contestaram a versão oficial.
Nascida em SP e graduada em ciências sociais pela USP, Clarice teve carreira em pesquisa de mercado e publicidade. Um intercâmbio no Foreign and Commonwealth Office, em Londres, abriu portas para seu papel público no setor.
Mudança de tema: o caso que marcou a história
A viúva, aos 34 anos, iniciou uma longa batalha contra a versão apresentada pelo regime. Questionou repetidamente a versão de suicídio, enfrentando vigilância e intimidação de agentes.
Em 1978, a Justiça reconheceu a responsabilidade do Estado pela morte de Vladimir Herzog, determinando indenização à família. O veredito foi um marco ao desfazer a narrativa de suicídio.
Em 2009, Clarice levou o caso à CIDH/OEA. Em 2018, a Corte reconheceu responsabilização do Estado brasileiro pela detenção arbitrária, tortura e assassinato, também apontando omissões na investigação e punição.
Ao lado dos filhos, Clarice assumiu a presidência do Instituto Vladimir Herzog, criado para manter o legado do jornalista e fortalecer a defesa dos direitos humanos e da democracia.
Retificação de óbito e reparação
Em 2013, a Justiça retificou o atestado de óbito de Vladimir, passando a constar que ele morreu em decorrência das violências sofridas nas dependências do Estado. A mudança consolidou o reconhecimento oficial.
No ano passado, a Justiça Federal concedeu reparação econômica mensal a Clarice, com uma pensão vitalícia de R$ 34.577,89. A decisão reconheceu a detenção arbitrária, tortura e execução do jornalista.
Ivo Herzog, filho e atual presidente do Instituto Vladimir Herzog, ressaltou a atuação da mãe na luta pela democracia e pela verdade. Ele destacou a combinação entre atuação pública e carreira profissional de Clarice.
Atualmente, aos 85 anos, Clarice Herzog encara uma batalha silenciosa contra o Alzheimer. Mesmo diante do desgaste da memória, seu legado permanece como marco da memória coletiva no Brasil.
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