Milhares de pessoas se reuniram no Jardim Botânico Real de Sydney, na Austrália, na última semana para presenciar o raro desabrochar da “flor-cadáver”, uma inflorescência conhecida como Amorphophallus titanum. O evento atraiu visitantes que enfrentaram filas de até três horas para admirar a planta e sentir seu aroma peculiar, semelhante ao de lixo em decomposição. […]
Milhares de pessoas se reuniram no Jardim Botânico Real de Sydney, na Austrália, na última semana para presenciar o raro desabrochar da “flor-cadáver”, uma inflorescência conhecida como Amorphophallus titanum. O evento atraiu visitantes que enfrentaram filas de até três horas para admirar a planta e sentir seu aroma peculiar, semelhante ao de lixo em decomposição. A floração, que ocorreu após uma década de cultivo, foi transmitida ao vivo e acumulou quase 1 milhão de visualizações.
O engenheiro agrônomo Marcelo Vieira Ferraz destacou a raridade do fenômeno, explicando que essa planta floresce apenas duas ou três vezes ao longo de sua vida, que pode durar até 40 anos, e por um curto período de 24 a 36 horas. O aquecimento global e a degradação do habitat natural contribuíram para a diminuição drástica de exemplares, com muitos sobrevivendo apenas em jardins botânicos. O exemplar em exibição, apelidado de “Putrícia”, foi importado do Jardim Botânico de Los Angeles e cresceu de 25 cm para 1,60 m.
Durante o evento, o cheiro característico da planta intensificou-se, provocando reações diversas entre os visitantes. A apresentação foi envolta em uma atmosfera teatral, com uma cortina roxa e névoa de um umidificador, atraindo cerca de 20 mil pessoas. Apesar do odor forte, muitos se aproximaram para sentir o aroma, enquanto a transmissão ao vivo gerou memes e comentários nas redes sociais.
O odor da flor-cadáver é uma estratégia evolutiva para atrair polinizadores, como moscas e besouros, que confundem o cheiro com carne em decomposição. Estima-se que restem apenas 300 exemplares dessa planta ameaçada na natureza. Ferraz concluiu que eventos como esse demonstram o potencial da diversidade botânica em atrair o público e fomentar o turismo, seja ele cultural, educacional ou de aventura.
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