A cidade de Buriticupu, no Maranhão, declarou calamidade pública na última semana devido ao agravamento das voçorocas, um problema que afeta o município há mais de 30 anos. As fortes chuvas deste início de ano intensificaram a erosão do solo, resultando em grandes buracos que ameaçam as residências locais. Segundo a prefeitura, duzentas e cinquenta […]
A cidade de Buriticupu, no Maranhão, declarou calamidade pública na última semana devido ao agravamento das voçorocas, um problema que afeta o município há mais de 30 anos. As fortes chuvas deste início de ano intensificaram a erosão do solo, resultando em grandes buracos que ameaçam as residências locais. Segundo a prefeitura, duzentas e cinquenta moradias estão em áreas de risco, impactando cerca de 1.200 pessoas em uma população de aproximadamente 50 mil habitantes.
O decreto municipal permite a desapropriação das casas ameaçadas pelas crateras, com a promessa de realocação em áreas seguras. Na cidade, a água da chuva não provoca alagamentos, pois escoa para as voçorocas, que são grandes ravinas formadas pela erosão. O termo “voçoroca” tem origem no tupi-guarani e significa “terra rasgada”. Especialistas alertam que não há uma solução definitiva para esse fenômeno, sendo essencial evitar práticas como desmatamento e erosão.
A pesquisadora Heloisa Ferreira Filizola, doutora em geografia física pela USP, detalha que as voçorocas se formam a partir de sulcos rasos que, sem contenção, evoluem para ravinas e, eventualmente, se tornam voçorocas ao atingirem o lençol freático. Ela destaca que a erosão antrópica, resultante da ação humana, é um fator crucial nesse processo. “Nenhuma voçoroca nasce voçoroca”, afirma, ressaltando que a combinação de desmatamento, impermeabilização do solo e características naturais como solo frágil e declives acentuados favorece o surgimento dessas formações.
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