Charles Kibaki Muchiri, um guia de montanha de 50 anos, observa com preocupação o derretimento do glaciar Lewis, no Monte Quênia, que está perdendo rapidamente suas massas de gelo. Em quase 25 anos de trabalho, ele testemunhou a transformação das neves eternas em rochas expostas, refletindo as mudanças climáticas que afetam a região. “Era realmente […]
Charles Kibaki Muchiri, um guia de montanha de 50 anos, observa com preocupação o derretimento do glaciar Lewis, no Monte Quênia, que está perdendo rapidamente suas massas de gelo. Em quase 25 anos de trabalho, ele testemunhou a transformação das neves eternas em rochas expostas, refletindo as mudanças climáticas que afetam a região. “Era realmente bonito”, recorda ele, lamentando a diminuição drástica do glaciar, que perdeu cerca de 90% de seu volume entre 1934 e 2010, segundo um estudo do glaciologista Rainer Prinz.
O Monte Quênia, uma das poucas montanhas africanas com geleiras, pode perder completamente suas massas de gelo até 2030, conforme alertam especialistas. Embora menos famoso que o Kilimanjaro, o Monte Quênia atrai milhares de visitantes anualmente, que agora enfrentam a realidade de um cume sem neve. “Simplesmente derretem”, afirma Prinz, explicando que a falta de neve e a exposição ao sol estão acelerando o processo de derretimento.
Godfrey Mwangi, um guia de 28 anos, também notou a diminuição dos glaciares, apontando para um penhasco anteriormente coberto de gelo. Com o desaparecimento das geleiras, algumas atividades de escalada técnica foram interrompidas, e os rios estão secando, afetando a fauna e a flora locais, além das comunidades que habitam a região. O impacto das mudanças climáticas é evidente, com o Kilimanjaro mantendo apenas 8,6% de sua geleira e o Monte Quênia apenas 4,2%.
Um estudo via satélite de 2024 revelou que o Monte Quênia e a Cordilheira Rwenzori, em Uganda, também enfrentam perdas significativas em suas geleiras. O glaciar Lewis, que antes desempenhava um papel importante no ecossistema local, agora é considerado “minúsculo” e sua contribuição para o abastecimento de água já não é a mesma, segundo o hidrólogo da UNESCO, Alexandros Makarigakis.
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