- Entre dezembro e março, nas últimas cinco temporadas chuvosas, ocorreram 197 mortes em São Paulo, conforme a Defesa Civil, totalizações da Agência Pública.
- Em média, uma pessoa morreu a cada três dias nesses meses de verão, com enchentes, deslizamentos e raios.
- Nas oito primeiras semanas da Operação Chuvas de Verão 2025/2026 foram registradas 12 mortes, incluindo um casal arrastado por enxurrada no Capão Redondo em 16 de janeiro.
- Em 2022/2023 houve o aumento de mortes após deslizamentos em São Sebastião (64 vítimas) e temporais entre 28 e 30 de janeiro de 2022, causando soterramentos na Região Metropolitana.
- Especialistas dizem que é preciso adaptar cidades a grandes volumes de chuva, melhorar planos de prevenção e investir em monitoramento, abrigos e recursos de proteção, enquanto o governo reduziu em 34,6% os recursos da segurança hídrica para 2026.
Nas últimas cinco temporadas chuvosas, a região de São Paulo registrou 197 mortes entre 1º de dezembro e 31 de março, em atividades emergenciais da Defesa Civil. O balanço contempla enchentes, deslizamentos e quedas de raio.
Entre 2022/2023 e 2025/2026, as tragédias ganharam dimensão. Em 2023, 64 pessoas morreram em São Sebastião durante Carnaval, após 624 mm de chuva em 24 horas. Em 2022, 24 morreram na região metropolitana em dois dias de temporais.
Na faixa de janeiro de 2025 a março de 2026, a Defesa Civil registrou 12 vítimas nas oito primeiras semanas da Operação Chuvas de Verão 2025/2026. Dois óbitos ocorreram na tarde de 16 de janeiro, em Capão Redondo, com enxurrada na avenida Carlos Caldeira Filho.
No dia seguinte, o corpo de um idoso foi encontrado no rio Pinheiros e, na manhã de 19 de janeiro, a esposa foi localizada às margens do rio Jurubatuba, próximas ao Autódromo de Interlagos, também na Zona Sul.
Debates sobre prevenção e adaptação
Especialistas citados pela Pública apontam falhas na prevenção e necessidade de adaptação das cidades a volumes maiores de chuva. Eles destacam urbanização e topografia como fatores que elevam riscos.
Para o professor Anderson Nakano, a urbanização desrespeitou as características do sítio e a hidrografia local, aumentando vulnerabilidade. Ele defende melhorias estruturais e não estruturais nos planos de redução de risco.
Eduardo Bulhões afirma que não é a chuva a culpada, mas a incapacidade de adaptar cidades a eventos extremos. Ele ressalta a importância de monitoramento, alerta e protocolos de prevenção mais robustos.
Os professores destacam também a carência de abrigos adequados e de infraestrutura para abrigar acampados e vítimas de desastres, além de necessidade de áreas pré-definidas de acolhimento.
Orçamento e medidas públicas
Em fevereiro de 2025, moradores do Jardim Pantanal ficaram sete dias sem acesso às residências, com uma escola servindo de abrigo provisório. A Defesa Civil é alvo de críticas por planos de contingência limitados.
A Pública informou que o governo estadual reduziu em 34,6% os recursos da segurança hídrica em 2026, frente a 2025, cortando investimentos em drenagem, mananciais e proteção a áreas urbanas.
A Semil afirma que mantém investimentos em resiliência hídrica e eficiência de recursos, sem detalhar备 medidas adicionais para ampliação de abrigos ou substituição de infraestrutura.
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