A Justiça de Minas Gerais determinou que o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior seja julgado pelo Tribunal do Júri pelo assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes, morto a tiros em 11 de agosto de 2025, em Belo Horizonte. A decisão foi publicada nesta quarta-feira (28) e assinada pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes […]
A Justiça de Minas Gerais determinou que o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior seja julgado pelo Tribunal do Júri pelo assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes, morto a tiros em 11 de agosto de 2025, em Belo Horizonte.
A decisão foi publicada nesta quarta-feira (28) e assinada pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do Tribunal do Júri, 1º Sumariante de Belo Horizonte.
Na sentença, a magistrada afirmou haver provas da materialidade do crime e indícios de autoria. Ela também manteve a prisão preventiva do réu e negou o pedido de sigilo feito pela defesa. Ainda cabe recurso.
A juíza manteve as qualificadoras apontadas no processo: motivo fútil, perigo comum e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Com isso, o caso seguirá para julgamento pelo Conselho de Sentença, formado por sete jurados, e a data do júri ainda será definida.
Além do homicídio, Renê também responderá por outros crimes, como ameaça contra a motorista do caminhão de limpeza urbana, Eledias Aparecida Rodrigues, porte ilegal de arma de fogo e fraude processual.
Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, a investigação aponta que o empresário tentou induzir a perícia ao erro ao entregar uma arma diferente da que teria sido usada no crime.
Em setembro de 2025, Renê virou réu após o Tribunal de Justiça de Minas Gerais aceitar a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais. A promotoria afirma que o crime ocorreu após uma discussão de trânsito ligada à coleta de lixo, que teria provocado uma breve retenção de veículos.
As apurações indicam que a arma usada no crime pertencia à esposa do empresário, a delegada da Polícia Civil Ana Paula Lamego Balbino Nogueira, investigada por porte ilegal de arma de fogo e prevaricação.
Como os crimes atribuídos a Ana Paula não são dolosos contra a vida, ela não será julgada pelo Tribunal do Júri junto com Renê.
Relembre o caso: crime, prisão e confissão
O homicídio ocorreu no bairro Vista Alegre, na Região Oeste de Belo Horizonte, durante a rotina de coleta de resíduos. Segundo as investigações, Renê se irritou com o caminhão de lixo na via, ameaçou o motorista e atirou contra os trabalhadores.
Laudemir, de 44 anos, foi atingido no abdômen e morreu no local. Horas depois, Renê foi localizado em uma academia, e a prisão foi convertida em preventiva após audiência de custódia.
Uma semana depois, ele confessou que atirou contra o gari e, em depoimento, disse que a delegada não sabia que ele havia retirado a arma.
Em 18 de agosto, os advogados que atuavam na defesa deixaram o caso; um dos representantes afirmou que a saída ocorreu por “motivo de foro íntimo” e, no mesmo dia, Renê voltou a admitir que atirou em Laudemir.
Após a confissão, o Ministério Público pediu o bloqueio de R$3 milhões em bens do casal para garantir uma futura indenização à família da vítima, mas a Justiça negou o pedido em 21 de agosto.
Quem eram o réu e a vítima
Renê da Silva Nogueira Júnior tem 48 anos e atuava como empresário do ramo alimentício.
Laudemir trabalhava havia nove anos em uma empresa terceirizada responsável pela limpeza urbana prestada à Prefeitura de Belo Horizonte.
Ele era descrito como funcionário exemplar e, segundo relatos, estava prestes a ser promovido quando foi morto durante o expediente.
Entre na conversa da comunidade