O governo mexicano permanece silencioso sobre a decisão judicial que questionou o direito da tribo Yaqui ao abastecimento hídrico. O aqueduto Independência, utilizado para levar água a Hermosillo e outras cidades de Sonora, continua ativo, sem atendimento à decisão de 2013 do Supremo Tribunal Federal.
A obra, com 172 quilômetros de extensão, transfere cerca de 60 milhões de metros cúbicos de água do reservatório El Novillo, fora do território Yaqui, para o município vizinho. O projeto foi inaugurado em 2012, porém entrou em operação somente em 2013, em meio a contestações da comunidade indígena.
A Yaqui alerta que o estudo de impacto ambiental não avaliou adequadamente as consequências para a cultura e o dia a dia da população, conforme documentos e depoimentos de representantes da tribo. Entidades ligadas ao direito ambiental sustentam que a retirada de água vulnera direitos históricos.
O litígio e as consequências
Membros da autoridade tradicional Yaqui protocolaram ação em 2011 demandando avaliação ambiental completa e consulta prévia. O STF reconheceu, em 2013, que o aqueduto violava direitos da tribo, mas não ordenou a suspensão imediata do projeto.
Relatos de pesquisadores indicam que a extração maciça de água já afetou a tradição, os rituais e o cotidiano Yaqui. Em 2015, estudo do INAH recomendou a eliminação ou suspensão do aqueduto e a busca por alternativas para suprir as necessidades hídricas.
Autoridades federais, incluindo CONAGUA e SEMARNAT, não se manifestaram de forma pública sobre as recomendações apresentadas ao longo dos anos. A situação se agrava diante de estiagens recentes e de pressões por uso de água na região.
Situação atual e perspectivas
Especialistas lembram que demandas históricas por repartição de água, reconhecidas em decretos de 1937 e 1940, não foram respeitadas plenamente. A comunidade Yaqui continua a defender seus direitos e o restabelecimento de uma gestão hídrica mais justa.
Observadores locais destacam que, sem respostas oficiais, a água permanece desviada para usos que não atendem às necessidades da tribo. A situação envolve questões legais, ambientais e socioculturais relevantes para a região.
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