BRASÍLIA — A Polícia Federal (PF) assumiu, em 1º de julho de 2023, a fiscalização dos colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs), anteriormente sob responsabilidade do Exército. A mudança ocorreu após críticas à eficácia da fiscalização militar e um adiamento de seis meses na transferência de competências. O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) alocou R$ 20 milhões para a PF, que conta com 600 agentes qualificados para a nova tarefa.
Dados de Registro
Os dados divulgados pela PF revelam um aumento significativo nos registros de CACs durante o governo de Jair Bolsonaro. Em 2018, foram emitidos 17.356 certificados, número que saltou para 361.142 em 2022, o pico histórico. Com a chegada do governo Lula, os registros caíram drasticamente, totalizando apenas 1.076 em 2023. Até o meio deste ano, foram contabilizados 36.834 novos registros.
A PF agora gerencia mais de 900 mil CACs e 1,3 milhão de armas, herdando a responsabilidade do Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma). A instituição planeja criar Delegacias de Controle de Armas em todas as capitais e 96 Núcleos de Controle em delegacias federais, totalizando 123 novas estruturas.
Fragilidades na Fiscalização
A auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) de 2023 apontou “sérias fragilidades” na fiscalização militar, que já existiam antes de 2019, mas se agravaram com as flexibilizações normativas. A transferência de responsabilidades deixou a fiscalização em um limbo, com o Exército não atuando e a PF ainda se adaptando.
Além disso, o governo Lula enfrenta um desafio com 6.168 armas de fogo de uso restrito que não foram reapresentadas no sistema oficial, potencialmente nas mãos de criminosos. A PF busca reforçar a fiscalização para evitar que essas armas sejam utilizadas por organizações criminosas.
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