O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, aguarda até sexta-feira (11) as manifestações de André Mendonça, Alexandre de Moraes, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, antes de definir os próximos passos da crise envolvendo as investigações sobre o Banco Master.
O prazo de cinco dias úteis foi dado por Fachin na semana passada, logo após a divulgação de relatórios de inteligência da Polícia Federal produzidos a partir da análise do celular do banqueiro Daniel Vorcaro.
A crise começou depois que Mendonça, relator das investigações sobre o Master no STF, determinou à PF que identificasse pessoas mencionadas no material apreendido e os destinatários de mensagens enviadas por Vorcaro. Um dos números identificados estava salvo no celular do banqueiro como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
O conteúdo das mensagens levantou suspeitas de que Vorcaro poderia ter informações antecipadas sobre as investigações contra ele e de uma possível proximidade com Moraes. Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser preso, o banqueiro perguntou ao contato atribuído ao ministro: “Acho que segunda já tenho que estar fora?”.
Em 17 de novembro, Vorcaro voltou a procurar o contato e perguntou se havia alguma novidade: “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. Naquela noite, ele foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Malta e, posteriormente, Dubai.
Pessoas próximas a Moraes e a defesa de Vorcaro negam irregularidades ou vazamento de informações.
No domingo (6), Mendonça liberou o relatório para análise do plenário do STF. A definição sobre como o caso será encaminhado, porém, cabe a Fachin.
O presidente do Supremo passou a concentrar sob sua responsabilidade as duas frentes da disputa entre Moraes e Mendonça.
A primeira envolve o próprio Moraes e tem origem na determinação de Mendonça que levou a PF a identificar o ministro como destinatário das mensagens de Vorcaro. Depois, Mendonça retirou o sigilo do relatório e defendeu que a investigação tivesse prosseguimento no STF.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), porém, contesta esse procedimento e pede sua anulação. Gonet argumenta que Mendonça não poderia ter aprofundado uma apuração envolvendo outro ministro do Supremo sem pedido da PF ou do Ministério Público e que uma investigação desse tipo dependeria de decisão do plenário.
A segunda frente envolve a atuação de Mendonça. Após a divulgação dos relatórios, Moraes pediu que o colega seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O pedido se baseia em um relatório de inteligência da PF que levanta a hipótese de direcionamento das investigações do caso Master.
O que Fachin pode fazer
Depois de receber as manifestações até sexta-feira, Fachin poderá levar o caso ao plenário. Nesse cenário, os ministros deverão decidir se as apurações envolvendo Moraes podem avançar ou devem ser arquivadas.
O presidente do STF também poderá convocar uma reunião reservada entre os ministros antes de tomar uma decisão. Solução semelhante foi adotada em fevereiro, quando vieram à tona informações sobre uma suposta ligação entre Vorcaro e o ministro Dias Toffoli.
Outra possibilidade é Fachin decidir individualmente sobre o encaminhamento dos casos.
O Regimento Interno do STF estabelece que cabe ao plenário processar e julgar integrantes da própria Corte, mas não detalha o procedimento a ser seguido quando surge uma investigação contra um ministro.
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