A Revolução Cultural na China, liderada por Mao Zedong entre 1966 e 1976, foi um período marcado por milhões de mortes e a destruição da economia, com o objetivo de eliminar influências capitalistas. O professor Frank Dikötter, especialista em história contemporânea da China, analisa como essa revolução, que visava preservar o comunismo, resultou em reformas que transformaram o país em uma potência capitalista.
Mao Zedong, ao observar a ascensão de Nikita Kruschev na União Soviética, temeu que a China seguisse um caminho semelhante ao capitalismo. Para evitar isso, desencadeou uma revolução que levou à morte de entre 500 mil e 2 milhões de pessoas e à desestruturação das instituições. Dikötter destaca que, paradoxalmente, a Revolução Cultural acabou promovendo as reformas que Mao temia, levando à gradual adoção de práticas capitalistas entre os camponeses.
Após a morte de Mao, as reformas de Deng Xiaoping foram uma resposta às mudanças que já estavam em curso. Dikötter afirma que Deng não foi o arquétipo do reformador, mas sim alguém que se adaptou a um cenário já em transformação. A ideia de que a China se afastaria do comunismo se mostrou equivocada, uma vez que o Partido Comunista continua a dominar, apesar das mudanças econômicas.
A Revolução Cultural deixou um legado de aversão à democracia, reforçando a ideia de que a expressão popular poderia levar ao caos. Essa percepção ainda influencia a política chinesa contemporânea, onde o controle estatal permanece forte. O professor observa que a narrativa ocidental muitas vezes ignora a natureza comunista do regime chinês, perpetuando a ideia de que a China poderia se tornar uma democracia.
Dikötter conclui que a Revolução Cultural não apenas moldou a China do século XX, mas também continua a impactar a sociedade atual, refletindo um sistema que, embora apresente características capitalistas, permanece sob o controle do Partido Comunista.
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