Imigrantes detidos em centros de imigração na Flórida enfrentam condições desumanas, segundo um relatório da Human Rights Watch divulgado nesta segunda-feira, 21. O documento revela abusos graves em três unidades: Krome North Service Processing Center, Broward Transitional Center e Federal Detention Center.
Os relatos indicam que os detentos foram forçados a se alimentar ajoelhados, com as mãos algemadas, e passaram longos períodos sem comida. Um imigrante, identificado como Chauan, descreveu como ele e outros foram deixados em uma cela sem alimentação por horas, tendo que comer apenas com a boca, como animais. Além disso, a superlotação é alarmante, com um aumento de 249% no número de detidos no Krome desde a posse de Donald Trump.
Os abusos incluem falta de atendimento médico, com casos de negligência que resultaram em mortes. Em abril, uma mulher haitiana de 44 anos morreu no Broward após reclamar de dores no peito e não receber assistência adequada. O relatório também menciona que uma equipe de controle de distúrbios desligou câmeras enquanto agredia detentos que protestavam por cuidados médicos.
Superlotação e Negligência
As condições nos centros de detenção são extremamente precárias. Detentos relataram que eram obrigados a usar banheiros à vista de outros e não recebiam cuidados adequados. No Krome, muitos passaram dias amontoados em salas frias, sem roupas de cama, e foram mantidos em ônibus por mais de 24 horas antes de serem admitidos.
A média de detentos em centros de imigração nos EUA ultrapassou 56 mil em junho, com cerca de 72% sem antecedentes criminais. A construção de um novo centro de detenção na Flórida, destinado a abrigar até 5 mil imigrantes, é uma resposta à superlotação atual. A situação reflete o endurecimento das políticas migratórias e a pressão para aumentar as deportações.
O ICE ainda não se manifestou sobre as alegações contidas no relatório, que destaca um sistema de detenção falho e repleto de abusos. A situação nos centros de detenção da Flórida levanta sérias preocupações sobre os direitos humanos e a dignidade dos imigrantes.
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