Convidado a participar do Festival Sesc de Inverno em Petrópolis, o artista Matheus Ribs teve sua obra, que reinterpretava a bandeira do Brasil, retirada da exposição. A ação, realizada por autoridades locais, foi justificada com base na Lei nº 5.700/1971, gerando polêmica e acusações de censura.
A obra de Ribs, que trazia a inscrição “Kilomboaldeya” em substituição ao lema “Ordem e Progresso”, faz referência a comunidades indígenas e afro-brasileiras. Sua retirada, ocorrida no Parque de Exposições de Itaipava, provocou reações nas redes sociais, com apoio e críticas ao artista. Ribs classificou a ação como uma violação da liberdade de expressão e um ato de censura.
Em uma nota publicada em suas redes sociais, Ribs relatou que agentes da Guarda Municipal tentaram prender o gerente do evento, alegando que a obra “descaracterizava o patrimônio nacional”. O artista também mencionou que não foi consultado sobre a decisão e que a obra foi removida dos materiais de divulgação sem seu consentimento. Ele destacou que a justificativa legal para a remoção é herdada do regime militar e não se sustenta após a Constituição de 1988.
Reações e Apoio
A situação gerou apoio de figuras públicas, como a escritora Lilia Schwarcz, que defendeu a liberdade de expressão e a reinterpretação de símbolos nacionais. O deputado estadual Prof. Josemar (PSOL) também se manifestou contra a remoção, afirmando que a repressão à obra não tem fundamento jurídico. Ele anunciou que oficiará o Sesc e a Prefeitura de Petrópolis para reverter a censura.
O Sesc-RJ lamentou a retirada da obra e afirmou que a decisão foi tomada pelas autoridades locais. A instituição reafirmou seu compromisso com a liberdade de expressão e a diversidade artística, destacando a importância do diálogo sobre temas relevantes para a sociedade. A Prefeitura de Petrópolis não se pronunciou sobre o caso até o momento.
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