Omar Ángel Pérez, indígena zapoteco de Oaxaca, tem se destacado na luta pelos direitos dos migrantes nos Estados Unidos. Com duas décadas de experiência no país, ele denuncia o aumento da brutalidade e discriminação contra essa população, especialmente durante as administrações de Donald Trump. Pérez, diretor do programa de justiça para a imigração da organização Faith in Action, ressalta a necessidade urgente de um sistema migratório mais justo.
O ativista aponta que a presença de agentes de imigração em comunidades migrantes tem gerado um clima de medo e insegurança. Desde a posse de Trump, as detenções aumentaram drasticamente, com relatos de separação de famílias e desaparecimento de indivíduos detidos. Um exemplo é o caso de Kilmar Abrego García, deportado sem que sua esposa soubesse seu paradeiro.
A falta de proteção em locais de culto também é uma preocupação crescente. Embora não haja registros de detenções dentro das igrejas, muitos fiéis têm evitado frequentar esses espaços por medo de represálias. Pérez destaca que a resposta das comunidades religiosas tem sido firme, com líderes de diversas denominações se unindo para defender os direitos dos migrantes.
A colaboração entre diferentes religiões tem se intensificado, com um entendimento comum sobre a importância de criar canais seguros para migrantes que buscam asilo. Pérez acredita que a contribuição dos migrantes para a economia dos EUA é significativa e deve ser reconhecida. No entanto, ele observa que o racismo e a desinformação continuam a ser barreiras para a reforma do sistema migratório.
Para um futuro mais justo, Pérez defende a regularização dos migrantes indocumentados, ressaltando que a maioria deles já faz parte da sociedade americana há décadas. A falta de vontade política para reformar o sistema migratório é um obstáculo, mas ele mantém a esperança de que a mobilização das comunidades de fé possa trazer mudanças significativas.
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