Cadeirante e com comorbidades, Márcio Paulo Machado dos Santos, 63, enfrenta dificuldades no atendimento social e de saúde desde a saída da empresa gestora do programa Auxílio Reencontro. Ele e sua ex-mulher, também cadeirante e em tratamento de câncer, residem em um apartamento no Parque Novo Mundo, zona norte de São Paulo. Desde junho, não recebem acompanhamento da assistência social, o que agrava sua situação.
A prefeitura de São Paulo reconhece atrasos nos pagamentos de aluguel e admite que algumas famílias podem ser despejadas e retornar a abrigos. A secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Eliana Gomes, visitou moradores para discutir novas opções de moradia. Em resposta a um ofício do deputado estadual Eduardo Suplicy, ela afirmou que um processo administrativo está em andamento para definir um novo arranjo de gestão do programa.
Moradores de diversas regiões da cidade relatam problemas semelhantes. Em Guaianases, Mônica Cordeiro diz que o atendimento social foi interrompido, e ela não consegue respostas da prefeitura. Outros, como Raquel Siqueira, também mencionam a falta de assistência desde a saída da empresa gestora. A prefeitura, por sua vez, afirma que os beneficiários podem acionar a equipe técnica por diversos meios, mas as reclamações persistem.
A situação é crítica em prédios como o da rua Coaracy, 227, no Itaim Paulista, onde moradores enfrentam problemas estruturais. A prefeitura nega que haja despejos motivados por denúncias à imprensa, mas admite que algumas famílias podem ter que retornar a abrigos após o término do período de dois anos do programa. A secretária Gomes ressaltou que a política prevê suporte intensivo para aqueles que ainda necessitam, mas que a escolha de novas unidades deve respeitar a equidade entre os beneficiários.
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