O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou que não há espaço para a aprovação de um projeto de anistia a envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Em entrevista à GloboNews, Motta destacou que a proposta, especialmente em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro, não encontra respaldo na Casa. Ele enfatizou que não se pode anistiar quem planejou assassinatos, referindo-se a um documento apreendido pela Polícia Federal que detalha um plano de ataque a autoridades.
Motta criticou a obstrução parlamentar promovida por deputados da oposição, classificando a ação como “inadmissível”. Ele anunciou que a Corregedoria da Câmara tomará medidas rigorosas contra os parlamentares envolvidos no motim, que ocorreu na semana passada. O corregedor, Diego Coronel, já iniciou notificações e os deputados terão um prazo de 45 dias para se manifestar.
O presidente da Câmara também se mostrou aberto a discutir uma revisão de penas para aqueles que tiveram participação secundária nos eventos de janeiro. Motta acredita que um projeto alternativo à anistia poderia ter um ambiente mais favorável entre os partidos centristas. Ele ressaltou a importância de continuar o debate sobre temas como foro privilegiado, mas com cautela, sem interromper as pautas.
Além disso, Motta criticou a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro, que pediu licença do mandato para residir nos Estados Unidos. Ele afirmou que não existe previsão regimental para “mandato à distância” e que atitudes que prejudicam o país não devem estar no debate político. O clima de tensão no Congresso, segundo Motta, está ligado ao atual cenário político e judicial do Brasil.
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