O Partido Liberal Democrata pediu à Autoridade de Conduta Financeira (FCA) que abra uma investigação imediata sobre Peter Mandelson, após novas informações sugerirem que ele pode ter compartilhado dados confidenciais do governo com Jeffrey Epstein, o financiador já envolvido em controvérsias. A solicitação aponta para possível uso de informações com impacto no mercado após a crise de 2008.
Segundo os liberais, o repasse de material confidencial a um financiador privado pode ter proporcionado vantagem injusta no mercado, seja por Epstein ou por seus associados. A deputada Daisy Cooper, também líder adjunta do partido, afirma que Mandelson pode ter se beneficiado da situação e que, se comprovadas as irregularidades, ele deveria enfrentar responsabilização criminal.
O pedido foi endereçado a Nikhil Rathi, chefe da FCA, destacando a necessidade de esclarecer se Mandelson ou terceiros lucraram com informações sensíveis ao mercado. Cooper ressalta que informações sobre eventos fiscais e políticos, incluindo a própria renúncia de Gordon Brown, teriam sido repassadas a Epstein pouco antes de serem anunciadas publicamente em 2010.
Conforme os liberais, emails recentes dos arquivos de Epstein indicam que Mandelson, na época secretário de Comércio sob Brown, teria enviado a Epstein avisos antecipados sobre movimentos de mercado. Entre os conteúdos, estariam informações sobre o resgate eurozônão e planos fiscais sensíveis. Os envios teriam ocorrido horas antes de tornarem-se públicos.
Cooper também aponta mensagens em que Mandelson envia a Epstein um documento confidencial com opções de políticas para equilibrar as finanças públicas britânicas, incluindo a venda de ativos equivalentes a 20 bilhões de libras. Outros trechos sugerem conversas sobre pressões ao Tesouro para tributar bônus de bancos, em 2009.
O Ministério Público britânico e a polícia de Londres já sinalizaram investigações sobre as possíveis leaks de emails de Mandelson para Epstein. Em nota, a FCA informou que a polícia Metropolitana já abriu apuração criminal e não comentou detalhes adicionais.
Mandelson não respondeu aos pedidos de comentário. O caso ocorre em um momento de tensão nos mercados globais, refletindo a instabilidade pós-crise e as complexas relações entre governo, finanças e figuras públicas. O episódio já provocou repercussões políticas e jurídicas no Reino Unido.
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