O grupo Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça pediu a anistia coletiva como reparação aos familiares de perseguidos pela ditadura. O pedido foi apresentado à Comissão de Anistia com apoio da Defensoria Pública da União. A ação chegou após anos de relatos de danos transgeracionais.
A entidade foi criada em 2014, em Natal (RN), a partir de encontros entre familiares de vítimas e de terapeutas das Clínicas do Testemunho. O objetivo inicial era atender traumas, mas evoluiu para reivindicar reparação histórica.
A mobilização envolve a memória de Glênio Sá, militante do PCdoB na Guerrilha do Araguaia, que viveu vigilância até 1990 e faleceu em 1990 em circunstâncias controversas. Os familiares defendem que o Estado reconheça os impactos persistentes do período.
Entre as propostas, está a retratação pública, atendimento psicológico, acesso a arquivos, gratuidades cartoriais e criação de um memorial virtual. O grupo também pleiteia abertura de arquivos das Forças Armadas.
Além disso, o coletivo atua como amicus curiae na ADPF 320, no STF, buscando a reinterpretação da Lei de Anistia de 1979. Em novembro, enviou recomendações ampliadas ao governo, em parceria com o Conselho Nacional de Direitos Humanos.
O grupo já encaminhou um requerimento ao relator especial da ONU sobre Direitos Humanos, Bernard Duhaime. A ideia é ampliar a visibilidade da pauta e fomentar ações que integrem cultura, memória e reparação.
Para Jana Sá, jornalista ligada ao grupo, o impacto da memória vai além do político. Ela explica que o esmaecimento da memória alimenta uma política de impunidade e reforça o sofrimento de famílias, tornando essencial a responsabilização histórica.
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