O segundo episódio do podcast Perdas e Danos traz novas evidências sobre vínculos entre empresas brasileiras e a ditadura militar. A Nestlé aparece entre os nomes mencionados como participante de apoios ao regime, conforme o programa. A reportagem reúne documentos e relatos para reconstruir o contexto histórico.
O episódio aponta que a Nestlé, na época liderada por Gualter Mano, contribuiu financeiramente para o IPES, um think tank conservador que atuou na preparação do golpe de 1964. As evidências aparecem em registros do Arquivo Nacional.
Segundo as informações, a empresa também manteve relações com estruturas de repressão, com menções à OBAN e a operações de vigilância e tortura que marcaram o período. Tais vínculos estariam descritos no relatório final da Comissão Nacional da Verdade.
Os dados apontam ainda que Oswaldo Ballarin ocupou cargos relevantes na Nestlé e na Brown Boveri, atuando como elo entre a empresa e a repressão. Ballarin participou de ações públicas durante a ditadura e teria ligação com agências de relações públicas associadas a operações de domínio estatal.
A atuação de Ballarin na Nestlé coincidiu com sua atuação em outra multinacional suíça, a Brown Boveri, atual ABB. A dupla função facilitou acesso a contratos e a participação em grandes obras de engenharia no Brasil, incluindo Itaipu.
Além disso, há relatos sobre a existência de uma rede de financiamento ligada a representantes corporativos que contribuía para estruturas responsáveis por violências políticas. A documentação suíça, consultada por pesquisadora, aponta conexões entre Ballarin, a Nestlé e entidades envolvidas em atividades de coerção.
Para além das relações com o regime, o material também aborda consequências econômicas para a Nestlé no Brasil. Entre 1971 e 1975, a rentabilidade da empresa aumentou, em meio ao ciclo de crescimento econômico do país na época.
O conteúdo do episódio também discute críticas ao uso de fórmulas infantis, com relatos de aulas e atividades promovidas por Ballarin em instituições brasileiras. Allegações de marketing agressivo foram associadas à política de promoção de leite em pó.
A Nestlé respondeu aos questionamentos históricos com uma nota afirmando que a empresa não compactua com repressão ou violações de direitos humanos e que mantém compromisso com democracia e respeito aos colaboradores. A resposta não confirma ou amplia detalhes operacionais.
A gravidade das acusações levou à busca por acesso a arquivos internos da Nestlé, que, segundo a pesquisadora, foi negado em diversas ocasiões. A investigação continua, com o objetivo de esclarecer completamente as relações entre empresas e o aparato repressivo.
Contexto histórico
A matéria destaca a participação de grandes empresas na estrutura de apoio à ditadura, com referências ao Clube São Paulo e a doações de parcela relevante do capital de bancos e companhias para financiar o aparelho de repressão.
Reação institucional e empresarial
Entidades ligadas a direitos humanos e à indústria pedem transparência e apuração. Diante das declarações oficiais, o tema permanece sob escrutínio público e jornalístico, com novas informações sendo analisadas por pesquisadores.
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