O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), garantiu a aprovação da candidatura de Odair Cunha (PT-MG) ao Tribunal de Contas da União após negociação de liberação de emendas, fragmentação de candidaturas e articulação entre aliados. A informação é apurada pelo SBT News.
Segundo relatos de nove parlamentares, que vão do PT ao PL e passam pelo Centrão, Motta liderou as negociações e chegou a ligar para membros da oposição pedindo votos para Cunha. Em conversas reservadas, ele teria dito que a aprovação seria decisiva para seu futuro político.
A indicação de Cunha fazia parte de um acordo firmado por Motta com o PT na eleição do atual comando da Câmara, em 2025. Parlamentares do PL e do Centrão resistiam a apoiar o nome petista, mantendo ceticismo estratégico.
A estratégia envolveu a liberação de pagamentos de emendas de comissão, cuja execução não é obrigatória e estava represada. Também houve negociação de verbas encaminhadas pelo Ministério da Saúde, segundo os relatos.
Os valores prometidos variaram entre R$ 5 milhões e R$ 40 milhões por emenda, de acordo com as informações coletadas. A expectativa era de que o pagamento começasse nos próximos dias.
De oposição, a investida é vista como suficiente para garantir ao menos 30 votos a Cunha no partido jovem, influenciando a disputa interna dentro do PL. A estratégia também afetou a retirada de candidaturas rivais.
Entre os desdobramentos, Motta buscou evitar a retirada da candidatura de Hugo Leal (PSD-RJ) em favor de outro nome, o que, na prática, poderia favorecer Cunha ao fragmentar candidaturas.
O padrinho político de Motta, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), foi procurado para apoio na campanha de Cunha. O PP acabou endossando a candidatura petista, conforme relato de lideranças.
Procurados, Motta e o Planalto não comentaram as informações. A Câmara não confirmou oficialmente os detalhes das negociações e dos pagamentos, que seguem sob apuração.
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