A Polícia Federal prendeu o deputado estadual Thiago Rangel, do Avante do Rio de Janeiro, em operação ligada a suspeitas de fraude na educação. A investigação aponta que ele loteou duas vagas de auxiliares de serviços gerais (ASG) em órgãos públicos da educação para beneficiar um traficante com atuação no estado.
A PF identificou uma relação do deputado com Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como Júnior do Beco, condenado por homicídio e tráfico. Segundo o inquérito, Rangel ofereceu as vagas para que Júnior do Beco fizesse indicações, usando o cargo público para favorecer o criminoso.
A apuração foi alimentada por mensagens entre Thiago Rangel e o chefe de gabinete, Fábio Pourbaix Azevedo, preso na mesma ação. O relatório descreve Pourbaix como operador de fraudes e braço direito do parlamentar.
Em trechos de mensagens, datadas de 2021, o deputado é instado a buscar o contato de Júnior do Beco para completar uma lista de indicações. Rangel afirma ter oito vagas disponíveis e sinaliza que duas seriam destinadas ao traficante.
A PF aponta que o chefe de gabinete manteve o contato com Júnior do Beco, que enviou ao assessor dois nomes para as vagas, além de pedir mais uma para a irmã dele. Posteriormente, o traficante recuou de uma indicação e mudou a destinação de uma vaga.
Conforme o relatório, as vagas foram ocupadas por Gleice Maria Batista da Silva, irmã do traficante, e por Ildilene Rangel, mulher de um investigado ligado a operações antigas de tráfico. Ações anteriores da PF já tinham visado um esquema de fraude ligado a Campos dos Goytacazes.
Entre as mensagens repercutidas, há relatos de ameaças e planos de ataque divulgados pela dupla. Em setembro de 2021, o deputado fala em tomar medidas contra críticas recebidas no Facebook, enquanto em janeiro de 2022 discutem possíveis atos contra alguém.
A decisão de prisão preventiva foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, com base em pedido da PF e aval da Procuradoria-Geral da República. Moraes justificou a medida para resguardar a ordem pública e a instrução criminal.
A Alerj afirmou que está disponível para colaborar com as investigações e reforçou o compromisso com a transparência. O deputado Thiago Rangel não se pronunciou até o momento.
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