A avaliação sobre o governo de Lula mostra que, mesmo com desgaste, o presidente mantém uma base de apoio relevante. Pesquisas e monitoramentos de redes sociais indicam que o cenário permanece imprevisível para 2026, com oposição interna entre vários blocos de direita.
Desde setembro de 2025, a AP Exata Inteligência coleta diariamente publicações sobre presidenciáveis, somando cerca de 15 milhões de posts. O objetivo é medir menções, emoções e narrativas, cruzando com pesquisas eleitorais e sentimentos dos eleitores.
O monitoramento revela evolução na percepção sobre o governo. Em setembro, ruim/péssimo atingia 48,9% e ótimo/bom 25,8%. Em maio, ruim/péssimo caiu para 43,8% e ótimo/bom subiu para 33,2%. Regular ficou em 23%. Houve queda na avaliação negativa e aumento na positiva.
Essa recuperação não depende apenas do governo. A crise envolvendo a taxação de Donald Trump sobre produtos brasileiros ajudou Lula a ocupar o discurso de defesa nacional, descolando parte da direita bolsonarista de apoiar a medida.
Cenário de Lula
Durante o carnaval, houve leve recuo na percepção negativa, que voltou a cerca de 45%, mas sem deterioração contínua. Depois, Lula ficou estável em torno de 44% de ruim/péssimo e 33% de ótimo/bom.
Embora o cenário ainda seja desfavorável, não aponta para colapso. A base política do presidente permanece relevante, ainda que o desgaste persista. A estabilidade indica que há espaço para atuação política sem ruptura imediata.
Emoções nas redes
Entre as emoções analisadas, confiança aparece com maior intensidade para Caiado (19,4) e Zema (18,4), seguidos por Flávio Bolsonaro (16,9) e Lula (16,1). Renan Santos fica com 15,5. No indicador medo, Lula registra 17,9, o maior índice entre os candidatos, seguido por Flávio Bolsonaro (16,1).
Os dados indicam que Caiado e Zema são vistos como confiáveis, mas não respondem sozinhos pela capacidade emocional de mobilização. Flávio Bolsonaro mobiliza a base conservadora, ficando próximo de Lula no medo.
Divergências na oposição
A oposição se fragmenta em várias vertentes da direita: bolsonarista de Flávio, liberal de Zema, antiga de Caiado e a direita digital de Renan Santos. A disputa não será apenas entre Lula e a direita, mas entre versões distintas que buscam ocupar o espaço oposicionista.
Caso o desgaste persista, a oposição poderá internalizar conflitos internos, abrindo espaço para Lula atuar como alternativa de menor risco entre campos adversários ainda sem consenso.
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