Uma charge publicada pela Folha de S.Paulo no sábado gerou reação de associações de magistrados, tribunais e representantes do Judiciário. O desenho foi associado à morte recente da juíza Mariana Francisco Ferreira, do TJ do Rio Grande do Sul, embora a autora negue qualquer relação.
A peça mostrava uma lápide com a frase Vidinha mais ou menos, até perdê-la junto dos penduricalhos, em crítica aos benefícios pagos a integrantes da magistratura. O tema em debate envolve os chamados penduricalhos, auxílios e pagamentos que elevam remuneração além do teto constitucional.
A proximidade temporal entre o falecimento da juíza e a publicação da charge levou entidades a interpretar a imagem como indireta. O presidente do STF, Edson Fachin, divulgou nota cobrando prudência na imprensa em contextos de luto, sem citar a charge.
Reações do Judiciário
A Associação dos Magistrados Brasileiros repudiou a publicação e afirmou que a categoria não deve ser alvo de escárnio em luto. A Ajufe criticou a obra e disse que a liberdade de expressão não autoriza a banalização da morte.
O TRF-3, que abrange São Paulo e Mato Grosso do Sul, publicou nota condenando o uso da lápide para descrever a magistratura, dizendo que não representa jornalismo, mas crueldade e mau gosto.
Esclarecimentos da autora
No domingo, a chargista Marília Marz informou à Folha que a morte da juíza não foi inspiração para a charge. Ela lamentou a coincidência interpretativa que ganhou repercussão na internet e afirmou ter tomado conhecimento dos ataques ao perceber as leituras associativas.
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