O Observatório Lupa identificou uma ofensiva de desinformação envolvendo o Projeto de Lei da Misoginia, aprovado pelo Senado em março. A coleta, realizada entre 24 de março e 30 de abril de 2026, mapeou mais de 289 mil posts na rede social X. Outros dados incluíram 6,3 mil publicações no Facebook, 2,9 mil no Instagram e mil no Threads. A pauta é criticada por narrativas falsas e conteúdos produzidos com IA para atacar o texto.
Segundo o levantamento, o principal pico de engajamento ocorreu em 25 de março, um dia após a aprovação no Senado, impulsionado por um vídeo publicado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O material atingiu ao menos 751 mil visualizações em 24 horas; depois, o vídeo foi apagado e republicado sem o trecho que relacionava o PL a outro projeto. A campanha dissemina a ideia de que o PL restringiria a liberdade de expressão e poderia perseguir a direita.
Entre as táticas identificadas, constam narrativas de que a proposta causaria demissões em massa de mulheres e criminalizaria trechos da Bíblia. O uso de inteligência artificial para criar vídeos falsos sobre consequências do PL também foi registrado. A investigação aponta ainda que conteúdos exploram o medo para atrair engajamento e citam situações cotidianas envolvendo serviços de transporte para associar acusações falsas a indivíduos.
Além de Nikolas Ferreira, aparecem entre os mais influentes no ciclo de desinformação o senador Flávio Bolsonaro (PL), o vereador Lucas Pavanato (PL), o comentarista Caio Coppola e a influenciadora Babi Mendes. O relatório nota o crescimento de termos associados à cultura misógina “redpill”, que retrata o projeto como ameaça aos homens, e a brincadeiras com situações de risco de acusações falsas.
Ainda sobre a narrativa
Apontam-se referências que desprezam o foco do projeto, que trata de discriminação baseada no gênero e de práticas que causem constrangimento ou exposição indevida. Ao desconsiderar esse objetivo, as publicações distorcem o debate e ampliam a desinformação, segundo o estudo.
Dados adicionais do levantamento
A pesquisa destaca que as informações falsas costumam apresentar uma linha de ataque político, sem fundamentação técnica sobre o conteúdo proposto. As plataformas analisadas mostram padrões de comportamento semelhantes, com repetição de argumentos que buscam mobilizar emocionalmente o público.
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