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Quatro em dez brasileiros percebem crime organizado nas cidades

Quatro em cada dez brasileiros reconhecem a presença de organizações criminosas no bairro; em capitais, mais de cinquenta e cinco por cento relatam serem afetados

Nos 20 anos desde os ataques de maio de 2006, organização criminosa se tornou um dos mais importantes atores do tráfico internacional de cocaína. Crédito: Edição: Júlia Pereira
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Duas décadas após os ataques que marcaram São Paulo em 2006, a presença do crime organizado no cotidiano dos brasileiros ainda é uma realidade sentida pela população. Uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em parceria com o Datafolha aponta que quatro em cada dez brasileiros com 16 anos ou mais reconhecem a atuação de organizações criminosas no bairro em que moram.

A parcela da população atingida é maior nas capitais, onde mais de 55% dos entrevistados afirmam ser afetados. No interior, o fenômeno também se faz presente, com 34,1% relatando impactos. Regiões como Rio Claro, interior de São Paulo, convivem com disputas entre PCC e Comando Vermelho (CV), destacando uma disseminação regional da violência.

A percepção sobre a visibilidade das organizações varia: 43,4% consideram pouco visível o movimento criminoso; 25,3% avaliam como muito visível. Mesmo assim, a presença dessas facções é associada a mudanças no comportamento diário e na organização social dos bairros.

Metodologia e alcance

O estudo intitulado Medo do Crime e Eleições 2026: Os Gatilhos da Insegurança foi encomendado pelo FBSP ao Datafolha e aplicado entre 9 e 10 de março deste ano. Foram 2.004 entrevistas, em 137 municípios de todas as regiões, com margem de erro de 2 pontos percentuais.

Como aponta a pesquisa, 81% dos que notam a atuação de grupos criminosos têm medo de ficar no meio de confrontos armados. Além disso, 74,9% evitam frequentar certos locais e 71,1% temem que familiares se envolvam com o tráfico. Alegações de maior violência surgem em cidades onde o PCC atua em conjunto ou em disputa com o CV.

Impacto social e agenda pública

Segundo Samira Bueno, diretora-executiva do FBSP, a difusão da criminalidade no território eleva a sensação de insegurança e influencia hábitos cotidianos. O relatório ressalta que a percepção de presença criminosa deve ser interpretada com cautela, já que nem toda referência descreve uma presença estrutural ou ostensiva.

O estudo também situa a situação no contexto eleitoral, buscando orientar temas de segurança pública para governos estaduais e federal. O governo federal deve anunciar um plano de combate ao crime organizado na próxima semana, com investimento estimado em 960 milhões de reais neste ano.

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