O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) empossou dois diretores indicados pelo Governo, em meio a vistas políticas. Valter Cardeal assume a Diretoria de Operação, uma das posições mais relevantes da instituição. Hugo Dantas passa a chefiar Assuntos Corporativos.
Cardeal é ex-diretor da Eletrobras e da CEEE, controlada pelo governo gaúcho, e passa a atuar na gestão em tempo real do sistema. A nomeação ocorreu na esteira de mudanças internas no ONS.
Dantas é presidente da Comissão de Energia da OAB e irmão do ministro Bruno Dantas, do TCU, cargo que reforça o peso político da indicação.
As nomeações foram feitas pelo Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, próximo do presidente Lula. Em 2024, Silveira também apoiou outra nomeação para a CCEE, o advogado Vital Neto, filho de Vital do Rêgo, atual presidente do TCU.
Relatos de bastidores descrevem a atuação de Silveira para favorecer nomes indicados por agentes públicos para o órgão.
Críticos destacam que a CCEE e o ONS, instituições criadas após reformas do setor, combinam caráter privado com influência governamental. Em prática, o Governo indica presidentes e alguns executivos, enquanto outros são escolhidos pelo setor.
No ONS, o único nome indicado pelos agentes do mercado é Alexandre Zucarato, ex-Engie e ex-CCEE, para a diretoria de Planejamento. A presença de Cardeal reflete mudanças recentes no quadro diretivo.
A operação em tempo real do sistema depende de critérios técnicos para cortes de geração, inclusive de parques eólicos e solares. A discussão sobre limites na rede ganha destaque com as novas contratações.
A CCEE fica responsável pela operacionalização do mercado de energia. O ambiente de negócios enfrenta desafios de liquidez, com tradings em recuperação judicial e críticas ao modelo de precificação.
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