O PT busca reestruturar sua presença digital diante da ofensiva da direita nas redes. Com eleições a menos de cinco meses, a sigla reconhece a vantagem do bolsonarismo em engajamento online, especialmente entre jovens, e planeja formar uma estrutura própria de divulgadores.
O objetivo é ampliar a militância que produza conteúdos pró-Lula, por meio de influenciadores e ações de base. A estratégia é capitaneada pelo secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, com foco no uso de redes sociais como campo de atuação, não apenas de divulgação tradicional.
Estrutura e programas
Valadares destacou a aposta em 37 candidatos influenciadores e no lançamento do Petech, programa de formação digital para a base partidária. O objetivo é capacitar militantes a atuar ativamente nas redes, entendendo-as como ambientes de entretenimento, não apenas política formal.
O PT também apresentou o projeto Pode espalhar, que cria redes de WhatsApp da militância. Voluntários cadastram-se no site do PT e passam a receber conteúdos, sendo incentivados a criar grupos na comunidade, escola ou bairro para disseminar mensagens.
Portas-vozes e participação
Outro eixo envolve o programa Porta-vozes do Lula, voltado a eleitores não filiados à legenda. O objetivo é transformar cidadãos em militantes ativos, incentivando a gravação de vídeos e o compartilhamento de argumentos pró-Lula nas redes, além do diálogo offline.
Contexto eleitoral
No cenário, o áudio divulgado pelo Intercept Brasil, envolvendo Flávio Bolsonaro e suposto pedido de dinheiro, tornou-se parte da pauta. A pesquisa Datafolha, publicada recentemente, aponta Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, frente a 31% de Bolsonaro, diferença de nove pontos.
Fontes do governo afirmam que a estratégia de desgaste mira ampliar o compartilhamento de reportagens da imprensa para manter Bolsonaro sob escrutínio público. A leitura é de que a eficiência das redes sociais pode influenciar a percepção sobre a aptidão de liderança.
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