Os banquetes gigantes promovidos pela empresa Le Canon Français estão no centro de uma disputa política na França. O evento ocorreu em Colmar, Alsácia, no último fim de semana, reunindo centenas de participantes em um espaço amplo para jantar, música e confraternização. O formato envolve quatro pratos, vinho à vontade e horas de canto.
O formato é contestado pela esquerda radical La France Insoumise (LFI), que sustenta haver evidências de cânticos racistas e tratamento deficiente a funcionários imigrantes. A bancada afirma que a inclusão de carne de porco no cardápio pode excluir muçulmanos e vegetarianos, e aponta financiamento por investidor conservador.
O envolvimento financeiro de Pierre-Edouard Stérin, empresário ultraconservador e acionista de 30%, é apontado pela LFI como indício de uma agenda da direita radical. Stérin fez fortuna com a Smartbox e dirige um centro de estudos que defende restrições à imigração e preservação da herança cristã.
A prática é defendida pelos organizadores da Le Canon Français, criada por Pierre-Alexandre de Boisse e Géraud de la Tour. Eles afirmam revisitar tradições de jantares comunitários, com objetivo de fomentar convivência entre diferentes perfis profissionais.
Em Colmar, o banquete ocorreu próximo ao centro da cidade, em um espaço de grande capacidade. Os convites incluem uma “carta de princípios” que obriga ao comportamento respeitoso. O cardápio segue tradições locais, com chucrute, queijos e kougelhopf, acompanhado de vinho.
Segundo os organizadores, a maioria dos participantes tem perfil político conservador ou de direita, mas a atividade é apresentada como celebração de costumes regionais. A repercussão envolve debates locais sobre neutralidade política de eventos culturais.
A LFI já conseguiu resultados em outras cidades, com ações para impedir banquetes semelhantes ou abrir investigações. Em Caen, uma apuração foi iniciada por suposta provocação racial, enquanto Quimper notificou atuação de autoridades locais.
De Boisse sustenta que as regras são claras e que o empreendimento gera empregos e dinamiza a economia local. Ele rebate acusações de assédio ou discriminação, afirmando que os eventos são abertos a pessoas de diferentes formações políticas.
A BBC destacou que a maioria dos participantes em Colmar parecia buscar uma experiência tradicional de convivência. Não houve registro de linguagem ofensiva no evento, segundo a cobertura na cidade.
As discussões sobre os banquetes devem continuar neste ano, com eleições municipais e debates sobre diversidade, tradição e economia local. As autoridades locais acompanham as controvérsias e eventuais investigações permanecem em andamento.
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