A prisão de bancários ligados ao grupo Tren de Aragua reacendeu o debate sobre sigilo bancário no Chile. Funcionários de bancos grandes são apontados como conectados à rede de lavagem de US$ 85 milhões. A operação ocorreu em junho e envolveu diversas instituições.
Promotores indicam que um funcionário do Santander Chile atuava centralmente no esquema, operando por meio de várias contas em diferentes bancos. Outro suspeito trabalhava no BancoEstado, segundo autoridades. A investigação não foca em uma instituição específica.
A ação, batizada de Operação Tóquio, resultou no indiciamento de 17 pessoas por lavagem de dinheiro e outros crimes. O Santander Chile afirmou colaborar com as apurações e informou que não houve atividade ilícita vinculada ao banco.
O BancoEstado confirmou que o sigilo de contas solicitadas pela promotoria foi suspenso por meio de ordem judicial, e que um contratado terceirizado entre janeiro de 2023 e junho de 2026 teve seus acessos bloqueados. A instituição coopera com a auditoria interna.
Segundo Héctor Barros, promotor regional, o Tren de Aragua busca pessoas com conhecimento do sistema financeiro. Informantes costumam ser abordados ainda em atividade nas instituições.
Contexto: sigilo bancário no Chile
O Chile mantém um dos regimes de sigilo mais rigorosos entre 38 países da OCDE, desde 1986. Autoridades costumam exigir autorização judicial para acessar registros bancários. A OCDE já pediu ampliar o acesso em investigações de corrupção e lavagem.
Parlamentares discutem uma proposta do governo para fortalecer o combate ao crime organizado, com criação de um Sistema de Inteligência Econômica e ampliação da UAF. A ideia permitiria acesso direto a dados bancários em investigações específicas.
A votação sobre o tema no Senado foi adiada após impasses entre forças políticas. A oposição destaca urgência, enquanto aliados de Kast defendem limites ao poder estatal. O ministro da Fazenda sinalizou que apresentará um novo projeto.
A OCDE já ressaltou, em relatório de 2021, que os requisitos de levantamento do sigilo bancário no Chile são onerosos para investigações de crimes econômicos. Casos de Penta e SQM ajudaram a impulsionar o tema.
Investigações apontam que o acesso a registros facilita rastrear fluxos de dinheiro ilícito. Autoridades destacam que mudanças exigem equilíbrio entre privacidade e segurança pública.
Quem lidera a resposta é o governo: o ministro da Fazenda afirma que propostas estão sendo formuladas para avançar com a legislação, sempre com supervisão judicial. Parlamentares destacam que a questão não pode ficar sem resolução.
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