O governo chileno enfrenta pressão para revisar o sigilo bancário à luz de uma investigação sobre crime organizado ligada à Tren de Aragua. Em junho, prisões de funcionários de bancos reacenderam o debate sobre regras financeiras rígidas no país.
Promotores apontam que um funcionário do Santander Chile teve papel-chave numa rede de lavagem de dinheiro que moveu cerca de US$ 85 milhões, operando por meio de contas em vários bancos. Outro suspeito atuaria no BancoEstado. A operação envolve suspeitos vinculados à organização venezuelana.
A polícia destacou que a investigação não mira um banco específico, mas o sistema financeiro como um todo. A ação é chamada de Operação Tóquio, já resultando em 17 pessoas formalmente acusadas por lavagem de dinheiro e crimes correlatos.
Mudança de foco institucional
O Santander Chile afirmou colaborar com as autoridades e manter política de tolerância zero. O BancoEstado não respondeu de imediato. Segue inquérito sobre as transações entre instituições financeiras.
A discussão sobre o sigilo bancário voltou a ser tema de debate público, com críticas à legislação vigente, herdada da ditadura e entre as mais restritivas da OCDE. A OCDE recomenda ampliar o acesso a dados em investigações.
Agenda legislativa e posições
Um projeto de 2023, de autoria do ex-presidente Gabriel Boric, propunha abrir informações de forma mais ampla à Unidade de Análise Financeira, sem autorização judicial prévia em casos de crime organizado e lavagem. A tramitação está emperrada.
Senadores de oposição ressaltam a urgência de atualizar regras, citando casos recentes como justificativa. A votação sobre itens que permitiriam à UAF solicitar dados diretamente aos bancos enfrentou empates no Senado.
Perspectivas e próximos passos
O ministro das Finanças, Jorge Quiroz, afirmou que o governo prepara uma nova proposta, possivelmente como projeto novo ou emendas. Parlamentares destacam a necessidade de avançar para aprimorar mecanismos de combate a crimes financeiros.
A OCDE, em relatório de 2021, apontou complexidade excessiva para quebrar sigilo bancário chileno, impactando investigações de corrupção e lavagem. O tema continua no centro do debate entre privacidade e segurança.
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