O Brasil alcançou o nível de “muito alto desenvolvimento humano” no IDHM, segundo a nova edição do Radar IDHM. O ganho marca o melhor patamar já registrado, mas a manutenção desse resultado passa a ser o desafio central. O relatório avalia longevidade, educação e renda, com a nova dimensão de desigualdade integrada ao cálculo.
A leitura dos números mostra ganhos imobiliários no conjunto, mas com desigualdades persistentes entre regiões, raças e gêneros. O radar, elaborado com apoio do IBGE e da Fundação João Pinheiro, oferece uma visão granular para orientar políticas públicas.
Panorama e impactos
Claudio Providas, chefe do Pnud no Brasil, afirma que o relatório aponta uma trajetória positiva decorrente de políticas públicas coordenadas há décadas, destacando o papel de ações como o SUS, valorização do salário mínimo e programs de transferência de renda. Betina Barbosa ressalta que o setor público não basta sozinho.
Segundo eles, a responsabilidade pelo avanço está na soma de ações públicas, privadas e da sociedade civil. O cumprimento de princípios do Pacto Global da ONU, com práticas não discriminatórias, é citado como elemento-chave para reduzir desigualdades de gênero e raça.
Desigualdades regionais e sociais
A liderança do ranking regional revela que metade da população vive em regiões metropolitanas, que contribuíram para o avanço do IDHM. Ainda assim, déficits persistem, com diferenças entre raças e entre homens e mulheres, e entre áreas urbanas e rurais.
Dados apontam disparidades: em Amapá, expectativa de vida é de 74,3 anos; no Distrito Federal, chega a 79,7 anos. A renda domiciliar per capita varia entre R$ 482,46 no Maranhão e R$ 1.465,10 no DF.
Caminhos para o futuro
Betina Barbosa afirma que o país entra em um novo ciclo de desenvolvimento, com foco em distribuir melhor os ganhos. Quando ajustado pela desigualdade, o IDHM cai de 0,805 para 0,641, sinalizando lacunas profundas que ainda precisam ser fechadas.
Providas destaca a necessidade de ampliar políticas que vão além da educação básica, preparando a força de trabalho para mudanças no mercado. Ele cita ainda a importância de programas de proteção social que promovam mobilidade social.
Políticas públicas e métricas
Especialistas defendem o uso de políticas públicas preditivas para antecipar desigualdades futuras, bem como a necessidade de novas métricas e metas. O objetivo é sustentar o avanço com inclusão, sustentabilidade e democracia como pilares.
O relatório aponta que quase 50% da população vive em áreas metropolitanas e que a educação teve o maior impulso ao IDHM entre 2012 e 2024, com crescimento anual de 1,35%, mesmo com os impactos da pandemia.
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