Com 1.500 atas contestadas e 350 mil votos sub judice, a apuração do Peru pode se estender até o fim do mês. A recontagem não é prevista pela legislação local, o que complica o anúncio do resultado oficial.
A disputa segue entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez. Com 96% das urnas apuradas, Sánchez aparece com 50,11% vs. 49,89% de Fujimori, diferença que pode variar conforme a revisão de atas observadas.
O foco da contagem está nas atas observadas, boletins com irregularidades que precisam de revisão antes de entrarem no resultado final. Essas atas representam cerca de 350 mil votos ainda não computados.
A explicação dos especialistas é que a votação peruana envolve processamento manual. Cada seção preenche uma folha com resultados, assinaturas e eventuais incidentes, o que facilita erros que impeçam a inclusão imediata na contagem.
Ao contrário de modelos com urnas eletrônicas, no Peru a conferência documental é central para consolidar o resultado. Folhas com problemas podem exigir recontagem ou descarte até que a Justiça Eleitoral as aprove, o que aumenta a incerteza.
Mais de 1.500 atas contestadas já foram identificadas. Segundo o direito eleitoral, a recontagem ocorre apenas em sessões com pendências não resolvidas entre as atas, com a decisão final cabendo aos Tribunais Eleitorais Especiais.
A distribuição geográfica das atas é relevante. Dados indicam que mais de 900 atas observadas são de Lima e Callao, áreas historicamente favoráveis a Fujimori, o que pode favorecer a candidata caso as revisões sejam incorporadas ao resultado.
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