Os 25 maiores livros brasileiros de não ficção deste século foram objeto de debate após a publicação de uma lista pela Folha de São Paulo. O resultado animou críticas sobre representatividade e alcance, além de levantar a questão sobre o que realmente conta como leitura essencial.
A Folha reuniu um júri de cem especialistas para indicar os melhores títulos do século XXI. O conjunto resultante reforçou a ideia de que listas são contestáveis e refletem visões específicas do Brasil. A publicação gerou debates sobre o que entra ou não no cânone.
Para ampliar o olhar, dois pesquisadores convidaram quinze intelectuais de formações diversas. O objetivo foi identificar livros relevantes para o debate de ideias no Brasil, indo além de pura estética. O grupo considerou impactos históricos, sociais e culturais.
Seleção e critérios
Segundo os organizadores, o critério central foi a contribuição para o debate nacional e internacional. Livro relevante pode expor temas históricos, científicos, jurídicos ou culturais. Também pesou a capacidade de promover estudo e compreensão de temas propostos.
Participaram jurados com perfis distintos, sem votos em obras próprias. Entre eles, nomes da academia, imprensa e pesquisa social. A ideia foi ampliar o conjunto para além de círculos homogêneos, buscando pluralidade de vozes.
A lista resultante reúne vinte e cinco títulos que ajudam a entender o pensamento brasileiro contemporâneo. Entre os nomes aparecem obras associadas a diferentes correntes intelectuais, desde pesquisadores tradicionais até pensadores mais polêmicos.
Os livros eleitos exploram Biografias, História, Filosofia, Literatura e Ciências Sociais. O conjunto busca oferecer leituras que dialoguem com debates públicos, eleitorais e acadêmicos, sem impor uma linha única de pensamento.
Os 25 livros brasileiros de não ficção mais relevantes do século XXI
1. Getúlio, Lira Neto — Companhia das Letras, 2012
2. O Mínimo que Você Precisa Saber para Não Ser um Idiota, Olavo de Carvalho — Record, 2013
3. À Sombra da Modernidade: Ensaios sobre Antimodernos, Fabrício Tavares de Moraes — Academia Monergista, 2023
4. A Organização, Malu Gaspar — Companhia das Letras, 2020
5. A Poeira da Glória: Uma Inesperada História da Literatura Brasileira, Martim Vasques da Cunha — Record, 2015
6. Maldita Guerra: Nova História da Guerra do Paraguai, Francisco Doratioto — Companhia das Letras, 2002
7. Marxismo e Descendência, Antonio Paim — Vide Editorial, 2009
8. O Novo Tempo do Mundo, Paulo Arantes — Boitempo, 2014
9. A Corrupção da Inteligência, Flávio Gordon — Record, 2017
10. A Filosofia e Seu Inverso, Olavo de Carvalho — Vide Editorial, 2012
11. A Manilha e o Libambo: A África e a Escravidão, Alberto da Costa e Silva — Nova Fronteira, 2002
12. A Metafísica da Revolução, Daniel Scherer — Edições Santo Tomás, 2021
13. A Tirania dos Especialistas, Martim Vasques da Cunha — Civilização Brasileira, 2019
14. As Ideias Conservadoras Explicadas a Revolucionários e a Reacionários, João Pereira Coutinho — Três Estrelas, 2014
15. Capanema: Biografia, Fábio Silvestre Cardoso — Record, 2019
16. Dom Pedro II, José Murilo de Carvalho — Companhia das Letras, 2007
17. História da Literatura Brasileira: da Carta de Caminha aos Contemporâneos, Carlos Nejar — LeYa, 2011
18. História da Riqueza no Brasil, Jorge Caldeira — Estação Brasil, 2017
19. O Liberalismo Francês: A Tradição Doutrinária e sua Influência no Brasil, Ricardo Vélez Rodríguez — Editora E.D.A., 2023
20. Pare de Acreditar no Governo, Bruno Garschagen — Record, 2015
21. Pré-História e História: As Instituições e as Ideias em seus Fundamentos Religiosos, Maurício G. Righi — É Realizações, 2017
22. Trincheira Tropical: A Segunda Guerra Mundial no Rio, Ruy Castro — Companhia das Letras, 2025
23. As Ilusões Armadas, Elio Gaspari — Companhia das Letras, 2002
24. Estudos Neokantianos, Mário Ariel González Porta — Loyola, 2011
25. País dos Petralhas, Reinaldo Azevedo — Record, 2008
Bruno Magalhães é escritor e mestre em Filosofia pela PUC-SP; Lucas Mendes é graduado em Economia, com MBA em Gestão e Mercado de Capitais. Ambos assinam a curadoria que ampliou o leque de vozes consideradas.
Entre na conversa da comunidade