O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou nesta quarta-feira (30) que o governo negou a concessão de visto a duas autoridades norte-americanas que, segundo ele, seriam enviados para interferir nas eleições brasileiras. O mandatário, no entanto, reforçou que não tem interesse em uma “briga” com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Nesta semana tivemos que negar o visto para dois jovens que eles estão mandando para o Brasil para se intrometer nas eleições brasileiras”, disse Lula durante a convenção nacional do PSB que oficializou Geraldo Alckmin como candidato à vice-presidência na chapa do petista.
No último sábado, o Brasil recusou pedidos de visto para dois funcionários do governo Trump que planejavam viajar ao país para colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro. A informação foi revelada primeiro pelo jornal The Washington Post e depois confirmada pela agência Reuters.
A atitude, segundo fontes ouvidas pela agência, foi encarada pelo Itamaraty como uma tentativa de influenciar a eleição presidencial de outubro, na qual Lula enfrenta como principal adversário o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Em uma resposta enviada à Reuters, um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, disse, em condição de anonimato, que “qualquer insinuação de que se trataria de uma ‘manobra’ para minar as eleições de uma nação democrática é uma mentira infundada. Trata-se de uma visita de rotina”.
No evento partidário do PSB, Lula aproveitou para reafirmar que não quer “briga” com o presidente dos EUA, acrescentando que pretende fazer o debate no campo das ideias.
“O Trump, às vezes, ele fica querendo brigar comigo. Eu não quero briga com ele… eu não sou bobo”, afirmou Lula dirigindo-se à plateia. “Eu não quero briga. Eu quero paz e quero derrotá-los na narrativa. Eu quero fazer a guerra da narrativa.”
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