O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) viajou dos Estados Unidos para o Brasil, em janeiro de 2025, em um jato executivo cuja empresa Prime You, então ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, detinha um terço das cotas. A informação foi revelada pela revista piauí nesta quarta-feira (23).
Flávio retornava de uma viagem à Flórida com a esposa, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas do casal. O voo saiu do Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale-Hollywood, na Flórida, e pousou em Brasília em 19 de janeiro de 2025. Também estava a bordo o advogado e empresário Willer Tomaz, amigo do senador e proprietário de outra das três cotas da aeronave.
Segundo a piauí, registros de tráfego aéreo e dados aeroportuários permitiram identificar o avião como um Legacy 650, de prefixo PP-NLR. A aeronave era formalmente registrada em nome da Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., sociedade que concentrava a propriedade compartilhada do jatinho.
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O avião era dividido em três participações iguais. Uma pertencia a Willer Tomaz, por meio da Alcazar Holdings; outra, a Laércio Cosentino, fundador da Totvs; e a terceira havia sido adquirida no fim de 2024 pela Prime You. A empresa administrava a aeronave por meio da Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços e tinha Vorcaro como sócio desde 2021, relação que se encerrou em setembro de 2025.
Um relatório da Polícia Federal citado pela revista avaliava cada participação de 33,33% em US$ 5,5 milhões em maio de 2025.
A Fraction 024 também mantinha relações financeiras com empresas ligadas a Vorcaro. De acordo com uma comunicação do Bradesco ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) citada pela piauí, a companhia transferiu R$ 7,6 milhões ao Banco Master, em 36 operações realizadas entre setembro de 2024 e setembro de 2025. No mesmo período, outros R$ 6,5 milhões foram pagos à Prime Aviation.
Voo ocorreu durante negociação do filme Dark Horse
A viagem aconteceu no período em que Flávio e Vorcaro se aproximavam nas negociações para o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O cronograma discutido à época previa um financiamento de US$ 24 milhões, com uma primeira parcela de US$ 2 milhões prevista justamente para 20 de janeiro de 2025, um dia após o desembarque de Flávio em Brasília.
Segundo mensagens obtidas pela investigação e publicadas anteriormente pela piauí, no dia seguinte à viagem Flávio cobrou de Thiago Miranda, intermediário da negociação com o banqueiro, uma resposta sobre o primeiro aporte. A transferência, no entanto, só foi realizada em 13 de fevereiro.
Willer Tomaz diz que oferecia caronas a amigos
Em nota enviada à piauí, Willer Tomaz confirmou que era proprietário de um terço da sociedade dona do avião e afirmou que a Prime You era responsável pela administração e pela escala de utilização da aeronave.
Segundo ele, os voos que contratava eram privados e não remunerados e, quando havia lugares disponíveis, oferecia “carona” a amigos que viajavam para o mesmo destino, sem cobrança ou contrapartida. Tomaz, porém, não respondeu à revista se Flávio Bolsonaro e a família foram seus convidados especificamente no voo de 19 de janeiro.
O advogado afirmou ainda que só soube em abril de 2026 que Vorcaro havia adquirido uma participação na aeronave e que, após tomar conhecimento do negócio, rompeu o contrato e entrou em litígio com a Prime You. Ele disse não conhecer Vorcaro e nunca ter realizado negócios com o banqueiro.
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