O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, comentou nesta quinta-feira (24) o caso de um terceiro servidor da autarquia citado no escândalo do caso Master. Ele disse que a situação é muito diferente da de dois outros servidores envolvidos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e frisando que “todo mundo é inocente até que se prove o contrário”.
Reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo nesta quinta informou que novas mensagens extraídas do celular de Vorcaro mostram que o Banco Master teria realizado pagamentos à empresa LR Consultoria.
+ BC estuda integrar Pix ao TIPS, sistema de pagamentos da Europa
A empresa pertence a Leonardo Eyer Harris, irmão de Ricardo Eyer Harris e chefe de gabinete do atual diretor de Regulação do BC, Gilneu Vivan. De acordo com a reportagem, a empresa teria recebido R$750 mil do Master no ano passado.
Ainda conforme a reportagem, Leonardo disse ter sido procurado pelo Master por uma consultoria na área de mineração, sem qualquer relação com o trabalho do irmão no BC. Seu irmão, Ricardo, disse que informou o BC sobre o contrato.
Nesta quinta-feira, durante entrevista coletiva em Brasília sobre o Relatório de Política Monetária, Galípolo confirmou que o servidor do BC teria comunicado a dois diretores da autarquia, com os quais trabalhou diretamente, a existência do contrato de prestação de serviços do irmão com o Master.
“O irmão trabalha na área de mineração há bastante tempo, presta consultoria para uma série de instituições na área de mineração – nada relacionado à atividade aqui -, e eu sou testemunha que o Harris tem um comportamento no Banco Central, ao longo de todo este período, que de maneira nenhuma eu posso levantar nada relativo à questão do Master“, afirmou Galípolo, quando questionado por jornalistas.
“Existem processos internos, o Harris tem de ter toda a oportunidade para ele poder esclarecer tudo o que ele quiser esclarecer dentro das instituições internas do Banco Central”, acrescentou Galípolo.
“Mas é importante esclarecer que todo mundo é inocente até que se prove o contrário. O caso dele é bastante distinto do caso dos outros servidores aqui do Banco Central.”
Galípolo se referia aos servidores Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, que atuavam na área de supervisão bancária. Os dois, atualmente afastados do BC, são investigados por supostamente terem prestado auxílio a Vorcaro em processos do Master no BC, recebendo compensações por isso.
+Delator do caso Banco Master declara ter ganho 570 vezes na loteria
Entre na conversa da comunidade