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Brasil alerta europeus sobre suposta interferência eleitoral de EUA e Rússia

Abin teria se encontrado com delegações francesas e alemãs e confirmado tentativas de interferência nas eleições

Brasil alertou França e Alemanha de tentativas de interferência nas eleições brasileiras | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Brasil alertou França e Alemanha de tentativas de interferência nas eleições brasileiras | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Integrantes dos serviços de inteligência brasileiros alertaram a França e a Alemanha sobre uma suposta interferência dos Estados Unidos e da Rússia nas eleições presidenciais do Brasil. A denúncia foi feita enquanto uma delegação formada por autoridades francesas e alemãs esteve em Brasília no início de setembro, segundo fontes e documentos analisados pela Reuters.

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De acordo com um relatório das reuniões elaborado por um dos participantes, representantes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) “confirmaram a existência de interferência tanto dos Estados Unidos quanto da Rússia”.

Sobre os Estados Unidos, integrantes da Abin afirmaram, segundo o documento, que a suposta interferência teria ocorrido por diferentes meios, “de ações judiciais até interferência abertamente reconhecida”. O relatório não apresenta detalhes sobre a suposta atuação da Rússia.

A visita, que não havia sido divulgada anteriormente, ocorre em meio às preocupações de autoridades europeias com o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a candidatos alinhados ao movimento Make America Great Again (MAGA) em outros países. O encontro também mostra uma troca de informações entre governos que consideram estar sujeitos a possíveis ações de influência norte-americana.

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O primeiro turno das eleições brasileiras ocorre no próximo domingo (4). As mais recentes pesquisas eleitorais apontam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputará um segundo turno na eleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar por planejar um golpe após as eleições de 2022.

A possibilidade de interferência dos Estados Unidos em favor de Flávio Bolsonaro tornou-se um dos temas em torno da votação. Lula afirmou ter alertado Trump para que não interferisse no processo eleitoral brasileiro.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos não respondeu ao pedido de comentário feito pela Reuters. O órgão já havia negado anteriormente qualquer tentativa de interferência nas eleições brasileiras. A Abin e a Embaixada da Rússia no Brasil também não responderam. Moscou já negou acusações anteriores de interferência em eleições de outros países.

Apoio do governo Trump no exterior

O apoio público do governo Trump a candidatos de direita em outros países representa uma mudança em relação a políticas adotadas historicamente pelos Estados Unidos e abriu discussões sobre em que medida esse tipo de atuação pode ser considerado interferência estrangeira.

Nos últimos meses, Washington manifestou apoio a candidatos e governos ideologicamente alinhados na Europa e na América Latina.

Os Estados Unidos ofereceram um pacote de ajuda financeira com valor potencial de US$ 40 bilhões para fortalecer o presidente argentino Javier Milei antes das eleições legislativas de meio de mandato no país.

O vice-presidente norte-americano, JD Vance, também viajou à Hungria para apoiar o ex-primeiro-ministro Viktor Orbán durante sua tentativa, que acabou fracassando, de retornar ao cargo.

Na França, autoridades têm se manifestado contra uma eventual interferência dos Estados Unidos nos assuntos internos do país. Marine Le Pen, candidata presidencial de extrema direita, lidera as pesquisas de opinião, e integrantes do governo francês consideram a eleição brasileira um possível sinal de alerta antes do pleito presidencial francês do próximo ano.

Na Alemanha, autoridades também vêm criticando o apoio do governo Trump à Alternativa para a Alemanha (AfD). O partido de extrema direita ficou em primeiro lugar nas eleições realizadas em dois Estados alemães no mês passado.

Delegação europeia esteve no Brasil em setembro

Autoridades francesas e alemãs estiveram no Brasil entre os dias 9 e 11 de setembro, como parte de uma delegação da União Europeia que discutiu a implementação da Lei de Serviços Digitais (DSA).

A legislação europeia determina que plataformas digitais adotem mais medidas contra conteúdos considerados ilegais e prejudiciais. O governo dos Estados Unidos critica a DSA e afirma que as regras atingem de forma injusta grandes empresas norte-americanas de tecnologia.

Segundo um documento obtido pela Reuters, a missão europeia também tinha entre seus objetivos “preparar respostas coordenadas antes das eleições de 2026”.

A delegação francesa contou com representantes da Viginum, agência dedicada à detecção de desinformação estrangeira, e da Arcom, responsável pela regulação de mídia e comunicações.

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Pela Alemanha, participaram representantes da Agência Federal de Redes, órgão que regula os setores de telecomunicações, energia, transporte ferroviário e serviços postais.

A Arcom confirmou que um funcionário participou da visita, assim como a Viginum. A Agência Federal de Redes afirmou que “uma possível interferência dos EUA nas eleições na Alemanha não foi discutida” durante a reunião.

Uma autoridade brasileira de alto escalão da área de segurança cibernética que participou do encontro afirmou, sob condição de anonimato, que o número de ataques cibernéticos registrados no Brasil quase dobrou em relação a 2025.

Segundo essa autoridade, também houve um aumento expressivo de invasões e tentativas de phishing direcionadas à Presidência da República. Para o funcionário, a alta está claramente “relacionada às eleições”.

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