Cientistas do Instituto de Bioengenharia de Catalunha (IBEC) realizaram um avanço significativo na compreensão do desenvolvimento embrionário humano. Eles conseguiram gravar, pela primeira vez, a implantação de embriões humanos em tempo real, utilizando um sistema de laboratório que simula as condições do útero. As imagens foram divulgadas na revista *Science Advances*.
O embrião humano, durante os primeiros dias de vida, se entoca nas paredes do útero, exercendo uma força considerável para se fixar e penetrar no tecido uterino. Essa fase, que ocorre antes da primeira ecografia, era considerada uma “caixa negra” da biologia humana. O pesquisador Samuel Ojosnegros, do IBEC, destaca que apenas um terço dos embriões fecundados resulta em um nascimento vivo, sendo que muitos se perdem antes ou logo após a implantação.
Os cientistas observaram que, após cinco dias de desenvolvimento, o embrião se adere à superfície do útero e começa a cavar um buraco para alcançar os vasos sanguíneos e se alimentar. Esse processo é mais invasivo em humanos do que em outros mamíferos, como os ratos, que têm um método menos agressivo de implantação. Ojosnegros explica que os embriões humanos utilizam proteínas e maquinaria molecular para gerar a força necessária para atravessar o tecido uterino, que é denso e rico em colágeno.
A pesquisa é complexa devido a limitações éticas, já que a legislação espanhola permite o estudo de embriões apenas até 14 dias após a fecundação. Apesar disso, a possibilidade de investigar a implantação fora do corpo humano abre novas perspectivas para a reprodução assistida, beneficiando casais que enfrentam dificuldades para conceber. Ojosnegros expressa otimismo sobre a adoção do sistema criado pelo IBEC para responder a questões sobre fertilidade humana.
Entre na conversa da comunidade