Pesquisadores do Buck Institute for Research on Aging, na Califórnia, descobriram que células B do intestino migram para o cérebro em modelos de Alzheimer, intensificando a inflamação. O estudo, publicado na revista Cell Reports, revela que uma dieta rica em fibras pode conter essa migração e melhorar sintomas da doença.
O intestino humano abriga trilhões de microrganismos e cerca de 80% das células do sistema imunológico. Essa comunidade microbiana se comunica com o cérebro através do nervo vago, formando o chamado eixo intestino-cérebro. Estudos anteriores já sugeriam que essa conexão poderia influenciar doenças neurológicas, como o Alzheimer.
Os pesquisadores analisaram camundongos saudáveis e aqueles geneticamente modificados para desenvolver Alzheimer. A análise de RNA em célula única revelou uma ativação incomum de vias ligadas à inflamação e à degeneração neuronal nos animais doentes. Um grupo de células B, responsáveis pela produção de anticorpos, apresentou uma queda significativa nos intestinos dos camundongos com Alzheimer.
Descobertas sobre a Migração Celular
As células B mostraram sinais de migração associados ao receptor CXCR4, que responde à molécula CXCL12. Esse marcador foi encontrado em alta nas células da glia no cérebro, que podem alimentar processos inflamatórios na doença. Assim, as células B específicas do intestino estavam se acumulando no cérebro, o que enfraquece a defesa intestinal e intensifica a inflamação cerebral.
Para conter essa migração, a equipe bloqueou o receptor CXCR4 com um medicamento experimental, resultando na preservação das células B no intestino e na redução da infiltração cerebral. Em uma abordagem menos invasiva, os cientistas testaram a inulina, uma fibra solúvel comum em vegetais, em camundongos por 13 meses. Os resultados mostraram melhora na diversidade microbiana intestinal, redução da inflamação no cérebro e aumento das células IgA no cólon.
Os animais também apresentaram menos tremores, um sintoma clássico associado à neurodegeneração. Essa pesquisa sugere que intervenções simples, como ajustes na dieta, podem ter um impacto significativo em doenças complexas do sistema nervoso, ampliando o entendimento sobre a relação entre microbioma, imunologia e neurologia.
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