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Exame de sangue para Alzheimer começa a ser oferecido no Brasil

Teste com registro na Anvisa chega a hospital de Porto Alegre com custo de R$ 3,2 mil, segundo GZH

Exame de Sangue
Exame de sangue utilizado para identificação do Alzheimer já está sendo ofertado no brasil em hospital do Rio Grande do Sul (Créditos: Divulgação/Hospital Moinhos de Vento)

O primeiro exame de sangue para investigar o Alzheimer com registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) começou a ser oferecido no Brasil nesta quinta-feira (15). A tecnologia está disponível no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), que se tornou o primeiro do país a disponibilizar o teste autorizado pela agência reguladora.

O exame é realizado mediante prescrição médica, inicialmente disponível apenas na modalidade particular e, segundo o jornal GZH, o procedimento custa R$ 3.200. Embora outros exames sanguíneos para investigar a doença já fossem oferecidos no país, o diferencial da nova tecnologia é o registro na Anvisa.

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Como funciona o exame de sangue para Alzheimer?

Desenvolvido pela empresa japonesa Fujirebio, o teste Lumipulse G pTau 217 Plasma mede a concentração da proteína p-tau217 no sangue. Esse biomarcador está associado a alterações cerebrais características do Alzheimer, especialmente ao acúmulo de placas de beta-amiloide, que podem ser identificadas durante a investigação da doença.

O exame de sangue oferece uma forma mais simples de investigar o Alzheimer, já que exige apenas uma coleta comum. Outros procedimentos incluem a punção lombar, que retira, por meio de uma agulha na parte inferior das costas, uma pequena quantidade do líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal, e o PET amiloide, um exame de imagem que utiliza uma pequena quantidade de substância radioativa para identificar o acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro.

Apesar disso, o resultado não confirma nem descarta sozinho o diagnóstico clínico da doença. A avaliação deve considerar o histórico do paciente, os sintomas, os testes cognitivos e, quando necessários, exames complementares.

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Quem pode fazer o exame?

Segundo a fabricante, o teste é indicado para pessoas a partir dos 50 anos que apresentam sinais de declínio cognitivo e estão em investigação médica especializada. A tecnologia pode auxiliar na avaliação de pacientes com comprometimento cognitivo leve ou suspeita de demência relacionada ao Alzheimer.

Entre os sintomas que podem motivar uma investigação estão dificuldades persistentes de memória, repetição frequente de perguntas, problemas de orientação e dificuldades para realizar atividades habituais.

Entretanto, o exame não é recomendado como rastreamento preventivo em pessoas sem sintomas. A indicação depende de avaliação médica, já que alterações de memória também podem estar relacionadas a outras condições de saúde.

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Qual é a precisão do novo exame?

Um estudo publicado na revista científica Nature Medicine, em abril de 2025, avaliou a tecnologia em 1.767 pacientes com sintomas cognitivos na Suécia, Espanha e Itália.

A pesquisa identificou uma precisão entre 89% e 91% em serviços especializados e de 85% na atenção primária, utilizando um único ponto de corte. Com uma estratégia de interpretação que separa resultados positivos, negativos e intermediários, a precisão subiu para 92% a 94%, desconsiderando os resultados intermediários, que representaram de 12% a 17% dos testes.

O que os resultados do exame revelam?

A análise da proteína p-tau217 pode indicar se o paciente apresenta maior ou menor probabilidade de alterações cerebrais associadas ao Alzheimer. Para interpretar os resultados, os pesquisadores utilizam dois valores de referência, chamados de pontos de corte, que funcionam como limites para classificar os resultados. Quando o resultado fica abaixo do primeiro valor, a probabilidade dessas alterações é considerada baixa; se estiver acima do segundo, é considerada alta. Já os resultados entre os dois limites são classificados como intermediários e podem exigir novos exames.

Valores elevados podem indicar maior probabilidade da presença de alterações características da doença, resultados baixos reduzem essa suspeita, enquanto os resultados intermediários não permitem uma classificação certa e podem exigir outras investigações.

O exame também não determina sozinho a gravidade da doença, a velocidade de sua progressão ou se o paciente desenvolverá demência. Por isso, os pesquisadores e a fabricante recomendam que o teste seja utilizado como parte de uma avaliação clínica mais ampla.

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O que as pesquisas brasileiras já descobriram?

O potencial dos exames sanguíneos para investigar o Alzheimer também vem sendo estudado no Brasil, como é o caso de uma pesquisa publicada na revista Nature Communications, em março de 2025, que avaliou 145 brasileiros, incluindo pessoas sem comprometimento cognitivo e pacientes com comprometimento cognitivo leve ou diferentes tipos de demência.

O estudo, que utilizou uma tecnologia diferente da Lumipulse, mostrou que a proteína p-tau217 teve bom desempenho para diferenciar pessoas com e sem alterações associadas ao Alzheimer. Ao comparar os resultados do exame de sangue com os da análise do líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal, disponível para 52 participantes, os pesquisadores encontraram um índice de 0,94, chamado AUC, em uma escala de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior é a capacidade do teste de distinguir os dois grupos.

Quando o exame estará disponível no SUS?

Por enquanto, não há data confirmada para a disponibilização do exame pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Hospital Moinhos de Vento informou que pretende ampliar o acesso à tecnologia, incluindo a possibilidade de integração a planos de saúde e ao sistema público, por meio de parcerias. Entretanto, o Ministério da Saúde informou que ainda não recebeu um pedido de avaliação do exame para incorporação ao SUS.

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O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde, atualizado em novembro de 2025, não contempla o exame no SUS.

A chegada ocorre em meio ao avanço das pesquisas sobre diagnóstico de demências. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 57 milhões de pessoas viviam com demência no mundo em 2021, e o Alzheimer está associado a aproximadamente 60% a 70% dos casos.

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