Ciberataques em Ascensão com Uso de Inteligência Artificial
Nos primeiros seis meses de 2023, as forças policiais espanholas registraram 245.191 ciberataques, um aumento de 3,4% em relação ao ano anterior. Esses números refletem apenas os casos documentados, já que muitos incidentes não são divulgados, visando proteger a reputação das vítimas. As estelionatos digitais representam 86,4% dos crimes cibernéticos, totalizando mais de 400 mil ocorrências anuais, um crescimento de 488,3% em nove anos.
A inteligência artificial (IA) tem sido um fator crucial nesse aumento, permitindo que cibercriminosos automatizem processos e realizem fraudes mais sofisticadas. Segundo Rafael López, engenheiro de segurança da Check Point Software, a IA democratizou o acesso a ferramentas de ataque, tornando-as disponíveis para indivíduos com conhecimentos técnicos limitados. Os custos para esses criminosos variam entre 85 e 1.000 euros, enquanto os lucros podem alcançar até 500 mil euros.
A Evolução das Fraudes
As fraudes mais comuns incluem roubo, estelionato e extorsão. Contudo, a facilidade de execução aumentou. Chris Betz, diretor de segurança da informação da Amazon Web Services, afirma que a IA atua como um acelerador das técnicas existentes, tornando ataques mais simples e frequentes. A IA também é utilizada para detectar vulnerabilidades e proteger sistemas, mas as defesas ainda não acompanham o crescimento dos ataques.
Um estudo da Universidade de Illinois Urbana-Champaign revelou que agentes de IA podem explorar até 13% das vulnerabilidades sem conhecimento prévio e 25% com informações mínimas. A capacidade de replicar páginas e criar e-mails quase perfeitos tem facilitado fraudes, como a “estafa do CEO”, onde criminosos se passam por diretores para realizar pagamentos fraudulentos.
O Impacto da IA nas Operações Criminosas
A IA está presente em todas as etapas das operações de cibercriminosos, desde o perfilamento de vítimas até a criação de identidades falsas. Um relatório da Anthropic destaca que a IA pode automatizar a coleta de credenciais e a penetração em redes, permitindo decisões estratégicas sobre quais dados filtrar e como elaborar demandas de extorsão.
Além disso, a IA tem sido utilizada para acessar posições em empresas críticas, criando identidades falsas com históricos profissionais convincentes. O relatório CyberArk Identity Security Landscape 2025 aponta que 94% das empresas espanholas sofreram ataques de suplantação, muitos potencializados por técnicas de deepfake.
As empresas ainda não estão gerenciando adequadamente os riscos associados a agentes de IA, que têm acesso privilegiado a dados sensíveis. A crescente sofisticação dos ataques exige uma resposta mais urgente e eficaz das organizações para proteger suas informações e sistemas.
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