O estudo documenta que uma loba cinzenta selvagem retirou uma armadilha de caranguejo da água para comer a isca, em British Columbia, Canadá. Pesquisadores afirmam que pode ser o primeiro exemplo registrado de possível uso de ferramenta por um lobo (*Canis lupus*). A pesquisa foi publicada recentemente e faz parte de um programa mantido por guardiões indígenas Haíɫzaqv, que monitoram e removem caranguejos europeus invasores.
A descoberta ocorreu quando varias armadilhas foram danificadas e os guardiões, junto com cientistas, inicialmente desconfiaram de ursos ou lobos. Como algumas armadilhas permaneceram totalmente submersas, mesmo na maré baixa, suspeitaram de lontras ou focas. Para esclarecer, instalaram uma câmera próxima a uma armadilha já danificada.
Provação por câmeras e reação do lobo
As imagens mostram a loba nadando até a costa com a corda da armadilha na boca, soltando-a e puxando a corda até trazer toda a armadilha para a margem. Em seguida, abriu a armadilha e retirou a isca de arenque. Os pesquisadores destacam que apenas a bóia na superfície ficou visível.
Embora não haja consenso, especialistas sugerem que o comportamento pode indicar compreensão de que o recipiente submerso escondia alimento. Um biólogo evolucionista não integrante do estudo apontou que apenas puxar algo já colocado não configura, por si só, uso de ferramenta, mas que o caso oferece insights sobre o raciocínio dos lobos.
Visão dos autores e contexto
Um dos autores, Artelle, afirma que a classificação como uso de ferramenta depende de critérios; a loba pode ter aprendido com observação humana. Guardiões Haíɫzaqv verificam as armadilhas quase diariamente, e a possibilidade de observação pela loba é considerada. Dúqváísla William Housty, da nação Haíɫzaqv, concorda.
Artelle acrescenta que lobos e povos First Nations coexistem na região há pelo menos 10 mil anos. Housty lembra que, segundo a origem narrativa Haíɫzaqv, os ancestrais tinham ligação entre formas humana e loba, sugerindo uma relação de entendimento entre as espécies.
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