O sítio Aguada Fénix, no sudeste do México, revela uma megaestrutura maia criada há cerca de 3 mil anos, com plataformas, rampas e canais. A montagem ocorreu por volta de 1050 a.C. e permaneceu em uso até cerca de 800 a.C., em um período descrito como Pré-clássico Médio.
A pesquisa, liderada por Takeshi Inomata, da University of Arizona, utiliza escavações combinadas com Lidar, tecnologia a laser, para mapear o relevo. A equipe publicou os resultados em Science Advances no dia 5 deste mês.
O estudo aponta que não houve presença de uma elite despótica impondo trabalho. Em Aguada Fénix, não foram encontradas moradias permanentes ou palácios, sugerindo cooperação para fins rituais em larga escala.
Detalhes da plataforma
No Grande Platô, a estrutura artificial mede 1.400 m por 400 m e atinge 15 m de altura, com formato em cruz. Rampas e corredores cortam a plataforma, que é limitada por canais que transportavam água de uma laguna próxima, a Naranjito.
Os canais chegam a cinco metros de profundidade e 35 metros de largura, possibilitando manejo de água para períodos específicos do ano. A organização do espaço envolve alinhamento com o nascer do Sol em datas-chave do calendário maia.
Elementos rituais e significado
No centro do platô há covas em cruz, dois anéis centrais com amplos braços, sugerindo simbolismo complexo. Em seu interior, pigmentos minerais foram depositados seguindo pontos cardeais, antecipando códigos de cores usados em tradições posteriores.
O local também recebeu oferendas com jade após o fechamento das covas, incluindo estatuetas de crocodilo, ave e uma figura feminina. Esses indícios apontam para a atuação de especialistas com conhecimento astronômico na coordenação da obra.
Conclusões provisórias
Segundo os pesquisadores, a construção de Aguada Fénix indica uma organização coletiva com foco ritual e astronômico. A evidência sugere que a complexidade monumental não dependeu de chefias absolutistas, mas de cooperação especializada.
Entre na conversa da comunidade